AMOR À VIDA vira um dramalhão mexicano sem pé nem cabeça

É lamentável o direcionamento que Walcyr Carrasco deu à “Amor à Vida”, folhetim que marca sua estreia na faixa das 21h. Depois de um primeiro capítulo altamente elogiado e os seguintes caindo na boca do povo por conta de personagens populares como Valdirene e Félix, a qualidade da trama caiu pela metade.

Curioso é que o autor havia dito que tinha parado de escrever a produção para avaliar a reação do público e essa pausa deve ter contribuído para estragar essa novela que tinha potencial para ser uma das melhores da faixa das 21h, tinha a mesma pegada de “A Favorita”, com tudo acontecendo ao mesmo tempo, o ritmo era frenético.

“Amor à Vida” continua andando, mas virou um grande dramalhão mexicano. Personagens berrando, chorando, extremamente acima do tom. O exagero, marca do autor, está predominando. Algo aceitável na faixa das 18 ou 19h, onde Carrasco produziu diversos sucessos de audiência, mas já está pesando num horário em que as histórias tendem a ser mais adultas.

O próprio Félix, que de início foi tido como a “Carminha de calça” já não desperta a mesma simpatia das primeiras semanas. O personagem cansa o público com a repetição de seus bordões ou com o quão frequente vomita asneiras em meio a conversas sérias. Realmente precisava interromper diversas vezes o interrogatório de  Glauce para falar abobrinha?

E como César aceita tudo o que ela disse sem cobrar ao menos uma cópia do prontuário para se certificar de que Glauce não estava mentindo? Pior: Paulinha ouve a conversa entre Paloma e Amarilys e a médica resolve contar a verdade para a filha. Vendo a reação da pequena, precisava mesmo dizer que queria ser chamada de mãe?

Ainda tem o já citado Félix. As denúncias de Lutero foram engavetadas e ficou por isso mesmo? Ninho descobre que a filha desaparecida está viva e diante de seus olhos e, como homem, não faz nada? Por fim: só no último capítulo Bruno vai revelar que pegou Paulinha em uma caçamba?

Ah, outro detalhe importante: tal qual “Salve Jorge”, Walcyr Carrasco quis fazer uma nova versão de A Arca de Noé e não está dando conta do recado. Tem muito ator de porte fazendo figuração de luxo.

Uma pena, “Amor à Vida” chegou cheia de potencial e agora vira motivo de chacota, seguindo os passos do folhetim anterior. Por sorte ainda dá tempo de evitar que a arca naufrague!

* Publicado originalmente em A TV EM Cena

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3 comentários :

  1. Eu fui um dos vários que elogiou, precipitadamente o Walcyr e a novela no geral. O texto tá pobre, as situações repetitivas, e já tem atores, que possuem uma grande experiência, fazendo figuração de luxo.
    Não posso deixar de fazer essa comparação, enquanto Maneco é o rei do drama, que realmente emociona, sem ser piegas, e faz o telespectador se colocar no lugar dos personagens e refletir sobre a vida, Walcyr é o rei da comédia e diálogos piegas e repletos de frases de efeito. Sinceramente, antes de uma nova tentativa no horário das nove, precisa urgentemente se reinventar. Volta logo, Maneco!

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  2. Essa merece destaque: "Sei que você não é um homem que brinca de "casinha"! rsrsrs

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  3. Concordo com a notícia ainda dá tempo para mudar a hitória principalmente daquela personagem de mariana ruy barbosa.
    A novela está sem dinâmica e realmente repetitiva uma pena.

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