CHIQUITITAS estreia bem no SBT

Entre os grandes sucessos da história do SBT, se destacam duas novelas infantis: Carrossel e Chiquititas. A primeira, produção mexicana exibida em 1991, roubou preciosos pontinhos no Ibope do Jornal Nacional. A segunda, coprodução Brasil-Argentina de 1997, ditou moda e fez a molecada dançar com suas canções grudentas e coreografias simples. As duas tramas marcaram a história do canal, consolidando seu apreço entre os telespectadores mirins.

Anos depois e já sem o mesmo Ibope de outrora, a emissora adotou uma estratégia natural para um canal conhecido por viver do passado: tratou de resgatar seus principais sucessos e dar-lhes roupas novas. A versão brasileira de Carrossel, adaptada por Iris Abravanel, foi o principal acerto do SBT nos últimos anos. Não só tirou a teledramaturgia da emissora do buraco, como impulsionou toda a grade de programação, levando o SBT a voltar a ser competitivo e disputar o segundo lugar no ranking da audiência com a Record.

Mas Carrossel tinha que terminar um dia. E Chiquititas foi a escolhida para sucedê-la. Felizmente, tendo em vista que até uma nova temporada da saga da professora Helena (Rosane Mullholand) foi cogitada. Só o fato de o SBT ter desistido de tal ideia já demonstra maturidade de sua direção, afinal, sabe-se que esticar tramas desdobrando-a em temporadas sem fim não é um bom negócio. Taí Caminhos do Coração da Record que não nos deixa mentir. E até mesmo a primeira versão de Chiquititas, que teve cinco temporadas e saiu do ar já desgastada e capengando na audiência é demonstrativo de que estas produções, por mais sucesso que façam, precisam enxergar um fim.

E, pelo que se tem notícia, a lição foi aprendida e será repetida agora. A nova Chiquititas também está sendo adaptada por Iris Abravanel e, apesar de ter previsão de 300 capítulos, deverá aproveitar as tramas apenas das duas primeiras temporadas. Decisão acertada, já que, além de garantir um capítulo final não tão distante, vai garantir também a unidade da narrativa. Afinal, quem acompanhou a primeira versão de Chiquititas deve se lembrar que apenas as primeiras temporadas têm uma trama folhetinesca mais redonda e envolvente. Depois disso, vira uma espécie de seriado com enredos mais fantasiosos.

Assim, Iris Abravanel deve aproveitar a saga de Mili (Giovanna Grigio) e todo o segredo que cerca sua origem, espinha dorsal inicial da trama. A jovem Milena ainda não sabe, mas é neta de José Ricardo Almeida Campos (Roberto Frota), o dono do orfanato Raio de Luz, que criou o lugar justamente para poder abrigar a menina. Isso porque o milionário de caráter duvidoso jamais aceitou o fato de a filha ter engravidado do filho da empregada. Os segredos começam a vir à tona quando Junior (Guilherme Boury), filho de José Ricardo, retorna ao Brasil, após uma temporada na Inglaterra, e decide investigar os reais motivos da existência do Raio de Luz. Neste meio-tempo, conhece a doce Carol (Manuela do Monte), moça adorável que é amiga das crianças do orfanato, e se apaixona. Mas um triângulo amoroso se forma quando Maria Cecília (Lisandra Parede) decide conquistar Junior.

Assim, Chiquititas mostra-se com uma trama com um apelo mais abrangente que sua antecessora, Carrossel, já que os personagens adultos têm tanta (ou mais) importância que as crianças. E Iris Abravanel tem sido feliz na adaptação, realizando algumas mudanças importantes, como o fato de mostrar a vida de Pata (Julia Olliver) nas ruas antes de sua chegada ao orfanato. No original, Pata (Aretha Oliveira) caía de paraquedas, e seu irmão Mosca e os amigos Rafa e Binho entravam bem mais à frente.

Algumas mudanças soam estranhas para quem viu o original, mas nada muito drástico. A fábrica de doces Pureza, onde Carolina trabalhava antes de se tornar diretora do orfanato, foi substituída pelo Café Boutique. A menina Dani (Carolina Chamberlain), mesmo não morando no orfanato (no início), era tratada como uma das protagonistas, o que não acontece ainda nesta versão. No original, Carol era afilhada de Chico, o cozinheiro do orfanato (atualmente vivido por João Acaiabe), mas nesta versão eles se conheceram agora, nos primeiros capítulos.

A produção de Chiquititas é caprichada, com um claro salto de qualidade ao compará-la com Carrossel. Os atores, em sua maioria foram bem escolhidos. Manuela do Monte é talentosa e carismática, e tem tudo para repetir o sucesso que Flavia Monteiro alcançou na primeira versão. Guilherme Boury é um Junior infinitamente superior ao ator argentino Alex Benn, intérprete do personagem na trama original. João Acaiabe, o Chico, e Carla Fioroni, a Ernestina, estão perfeitos. Só quem saiu perdendo foi Carmen: Giovanna Gold, apesar de boa atriz, está exagerando na afetação. Bem abaixo do que foi a Carmen de Débora Olivieri. O elenco infantil ainda declama o texto, mas nada que comprometa.

Para quem acompanhou a versão original, é impossível não cair na comparação saudosista. Eu, particularmente, prefiro “as minhas” Mili, de Fernanda Souza, Bia, de Gisele Frade (essa era bem mais animada e “pimenta” que a atual), e Vivi, de Renata Del Bianco. Mas para a nova geração, Chiquititas é uma boa novidade, que tem tudo para repetir a febre da versão original. Começou muito bem.

Por André San 

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