Fim da MTV Brasil é a prova de que ‘onde tem fumaça, tem fogo’

Chegou ao fim ontem a MTV Brasil que conhecíamos há mais de 20 anos, depois de uma novela que vem se arrastando há meses.

Já faz tempo, bastante tempo, que pipoca na mídia a crise enfrentada pelo canal musical. De início, diziam que a ideia era vender a emissora e que existiam grupos religiosos interessados.

Depois, no início de 2013, os rumores aumentaram, e começaram a apontar para o que de fato aconteceu: o grupo Abril devolveu a marca à Viacom.

Mas, nesse meio tempo, tudo era negado pela MTV, inclusive em meio às diversas demissões que ocorreram no primeiro semestre – teve até VJ chorando ao vivo por conta do fim de um programa.

Zico Góes, diretor, até o último minuto negou tudo. Disse, inclusive, que estavam investindo em novas atrações. Colocou panos quentes, entretanto, algumas semanas depois os boatos continuaram aumentando e, aí, não teve jeito.

A nova MTV já estava praticamente com a grade de programação fechada enquanto a outra não roía a corda. Jogaram a toalha. Mas, na verdade, jogaram ano passado, quando perderam três estrelas que há tempos a concorrência estava sondando: Marcelo Adnet, Dani Calabresa e Tatá Werneck.

Basicamente eram os três que mantinham a emissora em evidência nos últimos tempos e, na verdade, fizeram parte de uma trupe que já apontava para uma nova MTV: o canal já não respirava música e sim, humor.

O que a TV brasileira perde com o fim da MTV que conhecemos? Um grande laboratório, afinal, anualmente diversas atrações eram testadas e, por ali, inúmeros profissionais tinham a chance de mostrar seu talento, existia uma abertura maior que a encontrada em outros canais abertos.

A MTV tinha muito mais coragem que as demais, que vivem apostando em mais do mesmo. Podiam errar, mas continuavam tentando, e se reinventavam a cada novo tombo. Resistiram bravamente, mas a hora do ponto final chegou.

Para a coluna, fica na memória os “Disk” com Sarah Oliveira e Sabrina Parlatore, os Acústicos inesquecíveis de Cássia Eller, Rita Lee, Lulu Santos, Kid Abelha e cia, “Pé na Cozinha” com Astrid Fontenelle e, mais recentemente, as duas únicas atrações que chamaram minha atenção: o “Fica Comigo”, de Fernanda Lima, e o “Beija Sapo”, de Daniela Cicarelli.

Acrescento, ainda, o “Trolalá”, com a genial e doida Tatá, mas esse eu descobri depois, via YouTube. A verdade, no entanto, é uma só: cada um de nós tem uma história pra contar da MTV Brasil, e essa, já é a segunda emissora que vejo fechar as portas – a primeira foi a TV Manchete.

Da série: tudo o que é bom dura pouco, enquanto o que é ruim…

Bye, Emetevê!

* Publicado originalmente em A TV Em Cena

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4 comentários :

  1. não perdi nada, afinal a INTERNET ESTA AI...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Será que não haverá outro canal 'musical' p/ substituí-la na 'tv aberta'?

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  4. Chega a ser injusto analisar a MTV Brasil por conta de alguns programas ou números de audiência e não levar em conta a história da emissora.
    Em duas décadas de existência, a MTV revolucionou a maneira de falar com o jovem na TV, tanto que se transformou em celeiro de profissionais. Agiu como um laboratório de tendências, abriu espaço para artistas novos com potencial e resgatou artistas do passado, desconhecidos pelo público mais jovem, mas que mereciam uma releitura.
    Falou com o jovem como ninguém, mesmo nos temas mais espinhosos para as tvs convencionais, sem preconceitos, sem tabús.
    Mesmo não dando muita audiência, a MTV sempre conseguiu grandes anunciantes, porque era uma tv segmentada e jamais descambou para baixaria ou sobreviveu de mulheres frutas.
    Vimos uma MTV guerreira, ousada, experimental que não pode ser responsabilizada pelo seu fim, pois é somente mais uma vítima da decadência da indústria fonográfica.
    MTV Brasil tinha personalidade própria e apropriada para nossa realidade, não precisou ser um arremedo da MTV americana. Teve tamanha importância que escreveu um belo capítulo na história da televisão brasileira e mesmo em seu período final, se manteve fiel aos seus princípios, nos presenteando com "A menina sem qualidades" e "Estúdio MTV" com grandes nomes como Gal Costa, Os Paralamas, Baby do Brasil.
    Duvido que alguém vai ocupar a lacuna deixada pela MTV na TV aberta, ninguém teria tanta ousadia, é bem mais fácil investir em música descartável, surfando na onda das modinhas, ora pagode, ora sertanejo universitário, ora funk das poderosas.

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