Entrevista exclusiva com autora da Record, repleta de verdades!


Cristianne Fridman é um dos principais nomes da teledramaturgia da Record, autora de sucessos como “Bicho do Mato”, “Chamas da Vida” e “Vidas em Jogo”. Atualmente ela escreve “Vitória”, próxima novela da emissora que entra no ar na sequência de “Pecado Mortal”.

Nesta entrevista exclusiva ao RD1, Cristianne fala da atual fase da dramaturgia da Record, conta sua relação com a audiência e ainda adianta detalhes de seu novo folhetim, que abordará um tema polêmico: o incesto.

Confira:

“Vidas em Jogo” foi a última novela bem-sucedida da Record, depois, a emissora perdeu público no segmento teledramaturgia. “Pecado Mortal” ainda está no começo, melhor posicionada que as anteriores. Mas esse novo momento te preocupa de alguma forma?

Acho que este momento da teledramaturgia tanto na Record como na Globo preocupa a todos os profissionais. Mas é uma preocupação saudável porque faz com que a gente pense, reflita e busque novos caminhos. Não acho que o formato novela esteja “condenado”. Precisamos estar mais ligados ao tempo em que vivemos. Por exemplo: os casais românticos não funcionam e contribuem para provocar a supervalorização dos vilões porque estes casais românticos não correspondem ao que o público vivencia. As mocinhas e os mocinhos são, salvo exceções, muito chatos! Em Vitória estamos trabalhando para que este casal romântico traga sentimentos, questionamentos, esteja inserido em uma trama romântica atual.

Em meados deste ano, por conta do resultado das últimas novelas, a Record promoveu centenas de cortes, e circulou que sua nova novela poderia ser terceirizada. Como você acompanhou a repercussão dessas notícias?

Em nenhum momento a emissora cogitou em terceirizar as novelas. Não houve nenhum movimento de terceirização. O que houve foi a busca de uma parceria com produtoras independentes para a realização de projetos de teledramaturgia. As notas sobre terceirização foram veiculadas por jornalistas e sites mal informados e que estavam mais interessados em sensacionalismo. Há uma boa parte do jornalismo especializado em televisão que não realiza o seu trabalho com profissionalismo: não checa informação, serve aos grupinhos, agrada aqui e ali para obter uma e outra notinha…Acredito até que alguns nem jornalistas são!

Audiência é relativa. “Lado a Lado”, com a pior audiência da Globo, levou um Emmy. Você foi colaboradora de “Essas Mulheres”, até hoje citada como uma das melhores da Record, mas também com índices aquém do esperado. Como é ter um excelente trabalho em mãos e, apesar de bem aceita junto à crítica, não ter resultado equivalente com o público?

Acho que o profissional que realiza um trabalho para a televisão deve levar em conta que está falando com milhões de telespectadores. É triste ver trabalhos de excelente qualidade artística que não alcançam o público. Se fazemos algo bom e não atingimos o público, devemos pensar onde erramos porque somos pagos e trabalhamos para atingir o público: fazemos televisão!

A Record vai apostar em muitos especiais neste ano, que poderão entrar no ar em 2014 como séries. Tem algum projeto no segmento?

Tenho ideias, mas nenhuma desenvolvida. Agora meu sangue corre apenas por Vitória!

Como estão as negociações para as gravações de “Vitória” em Dubai? É um alto investimento.

Estamos negociando uma parceria com eles para que não seja assim um alto investimento. Seria uma irresponsabilidade investir tanto em uma viagem quando tivemos cortes na emissora.

A novela terá um haras como pano de fundo. Isso significa que será uma novela rural ou esse não será o foco central?

Vitória é uma novela urbana, apesar desta ambientação do haras. Se passa na época atual, no Rio de Janeiro, mais precisamente em Petrópolis e Barra da Tijuca.

Você vai falar de um tema polêmico, o incesto. Dá um friozinho na barriga tratar sobre um assunto tão forte?

Este “friozinho na barriga” é justamente o que vai movimentar a vingança do meu protagonista. Artur vai usar o tabu do incesto, a rejeição que o incesto causa para se vingar do pai, Gregório. Ele sofre um acidente quando tem uns treze anos e fica paraplégico. A mãe se separa do pai, leva o garoto para longe. Ele cresce cultivando a mágoa, o rancor de ter sido “rejeitado” pelo pai depois que ficou paraplégico. Gregório se casa novamente e tem dois filhos. Artur planeja voltar, seduzir a irmã Diana para cometer incesto e fazer o pai sofrer. Só que ele sabe que a Diana não é irmã de sangue dele. Na verdade ele não comete incesto, mas usa isso para ferir, se vingar porque Gregório não sabe que Artur não é filho dele, pensa que é o pai. Então a novela vai usar o tabu do incesto como arma de vingança do filho contra o pai.

“Vitória” estreia apenas em meados do ano que vem, mas alguns nomes do elenco já são divulgados na imprensa. Quem está confirmado na novela?

Ainda não houve uma reunião com a emissora para definir a escalação do elenco. Óbvio que a gente tem atores com os quais amaríamos trabalhar. Alguns nomes veiculados na imprensa, neste sentido de “gostaríamos de trabalhar com”, procedem e outros sequer foram cogitados.

Suas produções, por serem sucesso de público, costumam ser esticadas, e você já demonstrou certo desconforto com isso. Qual o segredo pra manter uma história atrativa mesmo quando ela tem duração maior que o planejado?

Não tem segredo: tem desespero (risos)! É meio como fugir de um cão raivoso: não tem jeito, você tem que correr (risos)!

Você é um nome forte na dramaturgia da emissora. Isso num país onde durante muitos anos apenas as novelas da Globo chamavam atenção. Como é fazer parte de um projeto que provou que dá pra competir mesmo contra o ponto forte da concorrência?

Acho que a gente não pode agir como torcedor fanático por um time de futebol. Temos excelentes jogadores, digamos assim, em diferentes emissoras. Temos que aprender a gostar sem achar que estamos traindo. Posso amar uma novela da TV Globo, como amei A Favorita, como posso amar uma novela da Record, como amei Chamas da Vida (risos), sem que isso seja “um crime, uma traição”. Vejo críticas, opiniões, muitas até com um teor de agressividade desconcertante, baseadas apenas na emissora e não no produto. Todas as emissoras tem seus acertos e seus erros. Não vou reconhecer um craque só porque ele joga no time que não é meu? Temos que valorizar o nosso mercado. O Brasil produz uma das melhores teledramaturgias do mundo! Isso é que é sensacional! Vamos parar com esse tom de tia velha ressentida de ficar falando mal ou elogiando somente uma e outra emissora. Vamos discutir, nos apaixonar, detestar ou não os produtos que elas veiculam. Assim ganhamos todos nós: os que fazem e os que assistem! Enquanto estivermos “brigando na arquibancada”, xingando uns aos outros, não vamos acrescentar nada ao valor da teledramaturgia brasileira.

A entrevista completa, está aqui!


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