“Amores Roubados” consagra autor e diretor


Depois da saudosa era das macrosséries históricas, a Globo parece querer explorar um novo segmento com suas minisséries de início de ano. Amores Roubados, que estreou na última semana, reforça o gosto que o canal tomou por microsséries de pegada noir, com jeitão de thriller, bem marcada por direção e fotografia cinematográficas. O sucesso de O Canto da Sereia, no ano passado, mostrou à direção da emissora que há público para este tipo de produção. E Amores Roubados, que vem registrando números de audiência na casa dos 30 pontos (números que não eram alcançados por minisséries desde Amazônia), consagra em definitivo o filão.

A comparação com O Canto da Sereia é inevitável. Até porque se trata de uma produção assinada pela mesma dupla responsável pela bem-sucedida adaptação do romance de Nelson Motta: George Moura no texto, José Luiz Villamarim na direção geral. A “nova dobradinha” da Globo vem conseguindo imprimir uma assinatura própria ao oferecer produtos que primam pela embalagem bem realizada, diálogos que fogem do didatismo por vezes irritante que impregna as novelas, além de takes grandiosos, que fogem do lugar-comum tanto explorado na teledramaturgia nacional de maneira geral.

Amores Roubados parece querer corrigir o único defeito apontado pelo público com relação a O Canto da Sereia: a pequena duração. Enquanto a saga da cantora Sereia (Isis Valverde) foi contada em parcos quatro capítulos, Amores Roubados vem com dez episódios. E, a considerar os cinco já exibidos até aqui, trata-se de uma decisão das mais acertadas. Com mais tempo que a produção anterior, Amores Roubados tem a chance de aprofundar melhor sua temática e personagens.

Com poucos personagens e trama bastante concentrada, Amores Roubados parece caminhar sem pressa. Gerou até alguns comentários em redes sociais de alguns telespectadores insatisfeitos com o “ritmo lento” da produção. Críticas das quais este blog discorda. O ritmo menos cadenciado que O Canto da Sereia faz de Amores Roubados uma produção diferenciada, capaz de explorar bem todos os ricos elementos que formam sua trama.

O recurso de se adiantar o clímax da trama logo na primeira cena, para depois dar um salto atrás no tempo, é bastante comum na televisão americana e, parece, tem ganhado adeptos por aqui também, a lembrar a primeira cena da novela Salve Jorge. O flashforward serviu para fazer com que o espectador conclua logo de cara que a “coleção de mulheres” do sedutor Leandro (Cauã Reymond) o levará a um caminho perigoso, do qual dificilmente sairá com vida. O “salto ao passado”, assim, começa a revelar como o protagonista foi parar ali naquela situação tensa, instigando o espectador.

Leandro é sofisticado somellier. Sua sedução é natural, e o faz não somente ganhar as mulheres que deseja, mas também a confiança dos homens que o cerca. Como ele mesmo ensinou logo de cara, a estratégia é ser “amigo do corno”, e, assim, terá passe livre para “atacar” quem quer que seja. Neste jogo de sedução proposto pelo protagonista, caem em sua rede duas mulheres peculiares: a fogosa Celeste (Dira Paes) e a até então incorruptível Isabel (Patricia Pillar), esposas de dois dos homens mais poderosos da região. E há ainda um quarto vértice, Antonia (Isis Valverde), a filha de Isabel, que parece ter entrado no meio desta teia para desvirtuar Leandro de seu caminho. Enquanto esta teia vai se formando, o passado de Leandro vai sendo explicado aos poucos. Sua mãe, a prostituta Carolina (Cassia Kis Magro), está por perto, e vem se tornando peça fundamental para o desencadeamento dos grandes conflitos da saga.

Enquanto O Canto da Sereia era basicamente um thriller policial, Amores Roubados é uma saga sobre sexo e sedução. O sexo é a causa e o efeito de toda a trama, é ele que move todos os personagens e converge todas as situações. E, como tal, é digno de diversos tratamentos. Amores Roubados é quente e sexy, no melhor sentido das palavras, e trata seu tema sem rodeios, porém, sem descambar para a apelação gratuita. Cauã Reymond tem se mostrado um ator aplicado, que vem evoluindo a olhos vistos na TV, e está ótimo como o protagonista. Isis Valverde também se mostra como um grande nome da nova geração. E elogiar os veteranos é chover no molhado: Patricia Pillar, Dira Paes, Murilo Benicio e Osmar Prado estão, como sempre, incríveis. 

Com Amores Roubados, a Globo abre muito bem os trabalhos de 2014 na TV. E ainda mostra que George Moura e José Luiz Villamarim são dois nomes que merecem nossa atenção. O Canto da Sereia e Amores Roubados deixam claro que o texto de George Moura é da maior qualidade. E José Luiz Villamarim vem acumulando bons serviços prestados, não apenas nestas duas microsséries, mas também em novelas (vale lembrar que ele foi diretor geral de Avenida Brasil, ao lado da festejada Amora Mautner). Em 2014, a dupla voltará a mostrar serviço com o remake de O Rebu. Promete.

Por André San

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1 comentários :

  1. É uma série incrível, maravilhosa, merece todo o sucesso que vem fazendo.

    Imagina só o que essa dupla não vai fazer com o remake de "O Rebu"?

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