Com “Patrulha Salvadora”, SBT continua a mirar nos pequenos


O SBT realmente não está disposto a abrir mão do sucesso de Carrossel e seus subprodutos. Embora tenha desistido de uma segunda temporada da trama, situação cogitada quando a saga da professora Helena (Rosanne Mullholand) ainda estava no ar, o canal resolveu apostar forte nos desdobramentos da novela. A nova aposta, a série Patrulha Salvadora, aproveita os principais personagens mirins da novelinha numa nova trama, em episódios semanais, ampliando o leque de dramaturgia infanto-juvenil em sua grade de programação. Patrulha Salvadora entrou no ar no último sábado, 11, com média de 7 pontos no Ibope, índice satisfatório para o dia e horário.

Com Patrulha Salvadora, o SBT mostra que segue nadando contra a maré e desponta como a única emissora de TV aberta a apostar no público infantil. Mantendo no ar seu tradicional matinal Bom Dia e Cia, e exibindo no horário nobre a novela Chiquititas, o canal mostra que há, sim, público para infantis. O que falta é criatividade e boa vontade das emissoras em produzir para este nicho. Claro, a dificuldade de faturamento destes programas, dada à série de regulamentações pela qual a publicidade para o público infantil é submetida, foi o que sepultou os programas infantis. Mas um pouco de boa vontade não faria mal a ninguém. O SBT segue apostando neste tipo de produto porque o licenciamento das marcas permite encher os cofrinhos.

Patrulha Salvadora é um novo caminho para a programação infantil do SBT, o da dramaturgia semanal infantil. Atrações de dramaturgia para crianças já existiram aos baldes em diversas emissoras, mas foram jogadas para escanteio, o que é uma pena. A Globo, por exemplo, fez sucesso com suas diferentes versões do Sítio do Picapau Amarelo. Também investiu pesado nas novelinhas protagonizadas por Angélica: Caça Talentos, Flora Encantada e Bambuluá. A Record, num passado não tão distante, já apostava suas fichas em programas como Agente G, Vila Esperança e Acampamento Legal. Isso sem falar nas várias séries infantis produzidas pela Cultura, como Mundo da Lua, Castelo Rá-Tim-Bum e Ilha Rá-Tim-Bum.

O SBT chegou a fazer sucesso num programa que mesclava dramaturgia e desenhos, o saudoso Disney Club/Disney Cruj. Porém, a década de 2000 foi marcada pelo desaparecimento de todos estes programas. Os infantis sumiram. O SBT ensaiou uma sobrevida no segmento no ano passado, tentando resgatar os infantis de auditório, com o Carrossel Animado e o Bozo. Não deu certo. Ao enveredar para a dramaturgia, a emissora encontrou um público sedento e ainda a possibilidade de faturamento certo.

Por essas e outras, a aposta em Patrulha Salvadora é acertada. Iris Abravanel, a autora multiuso do canal, é quem assina os roteiros, desta vez originais. A novelista resolveu apostar no núcleo da Patrulha Salvadora, como era chamado o “clube” que reunia os protagonistas-mirins de Carrossel, e transformá-los numa “patrulha de verdade”. Assim, personagens como Maria Joaquina (Larissa Manoela) e Cirilo (Jean Paulo Campos) ressurgem com superpoderes, envolvidos em missões para livrar a fictícia cidade de Kauzópolis de vilões malvados. A senhora Silvio Santos acertou em cheio ao não tentar explicar como os ex-alunos da Escola Mundial foram parar ali, ou como a diretora e a professora de música da escola, Olivia (Noemi Gerbeli) e Matilde (Ilana Kaplan) viraram delegada e auxiliar. O primeiro episódio apenas explicou ao público o novo contexto e partiu para a ação.

Patrulha Salvadora pisa fundo na fantasia, com interpretações intencionalmente exageradas, efeitos especiais e um visual bastante inspirado em HQs. Tudo funciona direitinho. A trama bebe da fonte de Scooby-Doo e outros desenhos de mistério dos Estúdios Hana-Barbera. No primeiro episódio, a Patrulha procurava desvendar o mistério envolvendo o sumiço de brinquedos. Passaram o episódio caçando um monstro-ladrão de brinquedos e, ao final, retiraram a máscara do tal monstro, revelando o verdadeiro criminoso: o dono de uma fábrica de brinquedos à beira da falência. Só faltou o bandido gritar “eu teria conseguido, se não fosse essas crianças intrometidas!”, para que a inspiração em Scooby-Doo fosse completa.

Outro acerto da narrativa foi apostar num arco de trama maior. Ao mesmo tempo em que a Patrulha Salvadora resolvia o caso dos brinquedos desaparecidos, um mistério maior ficava no ar: o desaparecimento da menina Julia (Manuela Munhoz). O caso ficou em aberto e, provavelmente, se desdobrará ao longo de toda a primeira temporada, que deve ter 13 episódios. Um gancho eficiente para trazer o público de volta na semana seguinte.

Patrulha Salvadora, assim, promove um bem-vindo reencontro entre os fãs de Carrossel e seus personagens preferidos, e de uma maneira diferente, o que é muito bom. Apostar num produto para crianças no horário nobre, num momento em que este público se encontra abandonado, é uma iniciativa louvável. E apostar na dramaturgia nacional, numa emissora tomada por reprises e enlatados, também se mostra como uma iniciativa mais do que bem-vinda.

Por André San

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