Fãs rejeitam nova dublagem de “Chaves”


Em 2013, o SBT voltou aos tempos de mudanças bruscas na grade de programação. Foram várias as alterações na grade, sendo que, na maioria das vezes, as mudanças se mostravam como “fogo de palha”, e as coisas acabaram voltando ao que era antes. Foi o que aconteceu com Chaves. O menino do barril saiu da programação diária para “descansar a imagem”, justificou o SBT e, desde então, a faixa das 18 horas da emissora virou um samba do crioulo doido. Seriados, desenhos, reprise de Carrossel e o noticioso SBT Notícias passaram por ali, e só fizeram dispersar a antiga audiência do clássico seriado mexicano.

Agora, no início de 2014, o SBT anunciou o aguardado retorno de Chaves ao seu fim de tarde. Como forma de promover este retorno com pompa, a emissora foi buscar nos porões da Televisa alguns episódios nunca vistos no Brasil. Assim, desde o início do ano, o canal de Silvio Santos tem apresentado capítulos inéditos de Chaves no Brasil. Alguns, há de se considerar, não são bem inéditos, tendo em vista que vários episódios de Chaves se parecem (por isso, são chamados de “semelhantes” no Brasil). Mas há muita coisa boa no pacote, como algumas continuações nunca antes vistas. Por exemplo, o episódio “A Venda da Vila” teve sua primeira parte exibida incontáveis vezes no país. Mas a segunda jamais havia sido vista. Os fãs brasileiros nunca tinham descoberto, afinal, se o senhor Barriga tinha mesmo vendido seu cortiço ao “Carequinha”. O desfecho foi finalmente exibido na semana passada.

Mesmo com novos episódios e toda a expectativa em torno do retorno de Chaves a um horário acessível em rede nacional, a série mexicana tem penado para recuperar sua audiência perdida. Um dos motivos, claro, é a lambança que o próprio SBT promoveu ao tirar a série do ar, sem mais nem menos, e não ter tido competência para substitui-la à altura. A série de mudanças promovidas na faixa das 18 horas da emissora deixou marcas profundas. E Chaves, agora, paga o pato.

No entanto, um outro motivo pode ser apontado: as novas vozes dos clássicos personagens de Chaves. Nos novos episódios, Chaves, Kiko e Seu Madruga, entre outros, aparecem com novas vozes. E, justiça seja feita: grande parte do sucesso e do charme de Chaves se deve à genial dublagem brasileira, realizada nos anos 1980 pela antiga Maga. Dirigida por Marcelo Gastaldi, que também emprestava sua voz ao personagem-título, a dublagem nacional de Chaves é cultuada, seja pelas adaptações de piadas sempre inteligentes, no sentido de contextualizá-las nacionalmente, ou seja por algumas traduções, digamos, “toscas” (afinal, “qué bonita vecindad” acabou virando “que bonita a sua roupa!”, numa das mais clássicas canções da série).

Muitos anos se passaram desde que Chaves foi dublada. Atores como o próprio Gastaldi, o Chaves; Helena Samara, a dona Clotilde; e Mario Vilela, o senhor Barriga e o Nhonho, já faleceram. Portanto, qualquer novidade envolvendo Chaves trará, obrigatoriamente, novas vozes a estes personagens. Outros atores, como Nelson Machado, o Kiko, e Carlos Seidl, o seu Madruga, não chegaram a um acordo com a emissora para retomarem seus personagens. Assim, o filho de dona Florinda e o pai de Chiquinha também ganharam novos intérpretes. Já Marta Volpiani, a dona Florinda e a Pópis; e Cecília Lemes, a Chiquinha, toparam retomar suas personagens, assim como Osmiro Campos, o professor Girafales.

Há que se considerar o esforço e o talento do novo time de vozes. O Chaves, por exemplo, já ganhou diversas outras vozes no Brasil, em programas como Chespirito, Clube do Chaves e Chaves em Desenho Animado, tendo em vista que Marcelo Gastaldi morreu em 1995. Mas nenhuma de suas vozes se aproximou tanto do timbre de Gastaldi quanto a atual, do ator Daniel Muller. Outro trabalho a ser destacado é o de Vinicius Souza, o novo Kiko. Em muitos momentos, seu tom fica praticamente idêntico ao de Nelson Machado. Em outros, porém, nota-se a diferença. A nova voz que mais destoa da antiga é realmente a de seu Madruga, agora vivido por Marco Moreira, bem diferente do antológico “que que foi, que que foi, que que há?” de Carlos Seidl. Aliás, me parece que Moreira se inspirou mesmo na voz original de Ramon Valdez, ator que viveu seu Madruga. Ouça a versão original de Chaves e veja que as vozes de Moreira e Valdez se assemelham.

A dublagem original de Chaves está tão enraizada no imaginário dos fãs, que é realmente difícil se acostumar com as mudanças. No entanto, não há como ser diferente. Como foi dito, muitos atores originais já se foram. Outros até continuam na ativa, mas não toparam retornar. E até mesmo quem topou e retornou já está com tom de voz um tanto diferente do que era nos anos 1980. Claro, lá se vão 30 anos. Sendo assim, como já foi dito, qualquer novidade envolvendo Chaves deverá vir com novas vozes, sempre, não há como ser diferente. Assim, cabe a nós, ao menos, comemorar a chance de ver episódios nunca antes vistos, mesmo que com diferenças. Melhor do que nada.

PS: e o que foi a nova versão de “Quando me Dizes”, clássica canção que professor Girafales e dona Florinda cantam no episódio do parque? A versão anterior, meio esganiçada, era muito melhor! Fizeram mais, digamos, “sério”, e a música perdeu todo o encanto. O episódio, mesmo não sendo inédito, foi redublado porque sua primeira parte, esta sim inédita, foi exibida pela primeira vez. Refizeram o segundo episódio para manter a coerência. Mas acabaram com a música!

Por André San

Blog: www.tele-visao.zip.net
E-mail: andresantv@yahoo.com.br
Twitter: @AndreSanBlog 

Compartilhe no Google Plus
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários :

Postar um comentário

.