A hora e a vez das minisséries


(Reportagem do jornal Correio Braziliense, escrita pela jornalista Adriana Izel, que contou com minha participação; reproduzo, abaixo, parte do conteúdo, cuja íntegra é disponibilizada para assinantes)

As novelas são um dos produtos mais tradicionais da televisão aberta brasileira. No entanto, com o desgaste da fórmula, elas estão perdendo audiência para as minisséries, que, atualmente, possuem mais investimento em produção, em fórmulas estéticas e em elenco. Exemplo disso, são as recentes tramas da Globo e da Record. Na emissora de Edir Macedo, Pecado mortal, de Carlos Lombardi, tem sido ignorada pelo canal por conta da falta de espectadores. Mudou de horário e perdeu até um dos integrantes da direção. Já Milagres de Jesus é uma produção da Academia de Filmes e conta com cinco autores, 160 atores, além de ter tido um investimento de R$ 900 mil por episódio, o equivalente a um gasto de R$ 16,2 milhões na atração completa, enquanto uma novela inteira custa em média R$ 2,5 milhões.

Os avanços tecnológicos podem ser apontados como os vilões das novelas e, consequentemente, os aliados das minisséries. Por conta dos televisores em alta definição, essas produções apostam em montagens e cenas mais bonitas, mais ágeis e que possam ser apreciadas em alta definição (HD). No entanto, o uso do recurso nos folhetins aparece com menos frequência. “Algumas sequências podem ser encontradas, no casos de acidentes, por exemplo. Mas as novelas têm capítulos diários e isso dificulta a vida da equipe por exigir muita dedicação de todos”, argumenta Endrigo Annyston, editor do site RD1, especializado em audiência da tevê.

Com as redes sociais e um mundo que preza pela agilidade, o telespectador parece não ter mais paciência para acompanhar tramas lentas e arrastadas. “O público está mais crítico. Quando uma história fica muito tempo no ar, como foi o caso de Amor à vida, isso repercute negativamente. Imagino que a praticidade cativa um número maior de pessoas”, explica Annyston. As novelas costumam durar em média de seis a oito meses, já as minisséries desenvolvem a história em questão de semanas.

Adaptações
Em busca de acirrar essa disputa, as novelas têm se inspirado em um produto campeão da televisão internacional: as séries. A tendência ainda é tímida, mas tem mostrado a cara. Manoel Carlos, conhecido por tramas tradicionais, apostou na agilidade das colegas gringas para a primeira semana de Em família. Já Joia rara, das autoras Thelma Guedes e Duca Rachid, trouxe uma das melhores imagens da tevê aberta atual. “Mas tudo, no entanto, ainda é muito experimental, pois Além do horizonte (atual novela das sete), mesmo com ares de Lost (série americana), carrega o título de pior audiência da história”, afirma o editor do RD1.

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1 comentários :

  1. A globo sempre sucesso c/ suas mini-séries,muitas delas premiadas no exterior.O único problema pela baixa audiencia às vezes é o horário,porque uma série começando depois da meia-noite,já que a maioria tem que acordar cedo não pode ter muita audiencia.Acho que a globo deve rever seus horários,não só das mini-séries,mas de toda a programação,principalmente a noturna.

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