“Arena SBT”, “CQC” e a informação com humor


Nas últimas semanas, duas das principais redes de TV do país fizeram nova aposta em programas cuja proposta é mesclar informação e humor. Enquanto o SBT tenta entrar no clima da Copa do Mundo com seu Arena SBT, a Band trouxe de volta uma de suas principais vedetes na programação, com o início da 7ª temporada do CQC. Os resultados, até aqui, são distintos: enquanto Arena SBT pena para encontrar seu lugar ao sol, o programa de Marcelo Tas voltou renovado e bastante inspirado.

No ar há duas semanas, Arena SBT até agora não disse a que veio. Com a missão de tratar de assuntos esportivos com bom humor, a nova aposta de Silvio Santos parece não conseguir nem uma coisa, nem outra. O programa traz Thomaz Rafael e Edmilson fazendo as vezes de anfitriões, como numa transmissão de futebol: o primeiro aparece como locutor principal, e o segundo como comentarista. Ainda no palco, Smigol e Alexandre Porpetone surgem como alívio cômico. Gavião é o narrador misterioso, enquanto Lívia Andrade ocupa o papel de “musa” do programa. As reportagens ficam por conta de Juliana Franceschi. O formato do programa é simples, calcado em entrevistas com convidados no palco, que falam sobre suas carreiras e comentam os assuntos da semana do mundo esportivo. No entanto, não funciona como deveria.

Pra começar, a postura de Thomaz Rafael é extremamente radiofônica e, até aqui, soa estranha na TV. Os assuntos tratados, muitas vezes, soam defasados e sem nenhuma profundidade. O humor aparece em doses homeopáticas, a ponto de fazer o espectador se questionar se a proposta do programa é realmente falar de esporte de um jeito bem humorado. Até o Globo Esporte ou o Terceiro Tempo são mais engraçados que o Arena SBT, que conta com humoristas profissionais no seu elenco. O formato corre num esquema de “colcha de retalhos” tão mal costurados, que, ao final, fica a impressão de que nada de relevante aconteceu. E, pra piorar, o SBT escolheu o pior dia e horário para exibir a atração: absolutamente nada a ver assistir a um programa esportivo numa noite de sábado. Até porque a rodada do final de semana dos campeonatos de futebol brasileiro ainda está em andamento quando o programa vai ao ar. Tudo muito estranho.

É inevitável, quando se fala em mesclar esporte com humor, não se lembrar do bom e velho RockGol, da MTV. A mesa-redonda RockGol de Domingo (ou RockGol de Segunda, em algumas temporadas), apresentada por Paulo Bonfá e Marco Bianchi, surge como o mais bem-sucedido humorístico-esportivo já visto na televisão brasileira. Isso porque o programa vestia bem a missão de ser uma sátira às tradicionais mesas-redondas futebolísticas, e quase nunca se levava a sério. Outro programa do gênero era o Esporte Total na Geral, que infelizmente durou pouco tempo na programação da Band. O trio Lélio Teixeira, José Paulo da Glória e Beto Hora fazia piadas e comentários sarcásticos com seus convidados entre uma matéria e outra, e soube equilibrar bem seus momentos de informação e de descontração. Equilíbrio este que falta ao Arena SBT.

Nos dois primeiros programas, Arena SBT apresentou resultados nada animadores, patinando entre 2 e 3 pontos no Ibope. O segundo programa foi ainda prejudicado pelo Caso Encerrado Proibido, telebarraco dublado que o SBT insiste em exibir (e que, na edição passada, mostrou o incrível caso de um homem apaixonado por uma zebra), e que também derrapa na audiência e entregou em baixa ao programa esportivo. Se a ideia do SBT é que o Arena se torne sua vitrine para a Copa, então ajustes urgentes em seu formato e execução são mais do que necessários. Caso continue assim, a atração dificilmente sobreviverá até o Mundial.

Enquanto isso, na Band, a nova temporada do CQC deu o start na última segunda-feira, 17. Mais uma vez, havia toda uma expectativa em torno do programa, que trouxe duas novidades estruturais já aguardadas: a estreia de Dani Calabresa na bancada, ao lado de Marcelo Tas e Marco Luque; e a nova repórter Naty Graciano, que entrou na vaga aberta por Monica Iozzi. E, ao que tudo indica, as duas novidades foram aprovadas. Como já era de se esperar, Dani funciona muito melhor na apresentação do que nas matérias externas, e, pela primeira vez desde que passou a integrar o elenco do CQC, surgiu totalmente à vontade. Seu entrosamento com Tas e Luque era visível, e seus comentários ora sarcásticos, ora “abobalhados”, deram um frescor à apresentação do programa. Enquanto isso, Naty Graciano (figura conhecida dos telespectadores do interior de São Paulo, já que apresentou durante anos a Revista de Sábado, programa da TV Tem, afiliada da Globo) também mandou bem em sua estreia, mostrando traquejo tanto nas matérias esportivas quanto políticas. 

O CQC continua cumprindo bem sua missão de mesclar humor com informação. A fórmula funciona bem porque o humor permite com que o programa diga coisas que normalmente não se diz no jornalismo tradicional. Claro, o CQC continua sendo essencialmente humorístico, mas sua capacidade de produzir denúncias e questionar irregularidades merece toda consideração. Alguns lançamentos deste ano, no entanto, não agradam, como o quadro Torcida Vip, no qual uma torcida recita “hinos” a diversas personalidades. O quadro serviu apenas para alimentar a polêmica com o cantor Lobão, que não gostou da abordagem e tentou impedir a Band de exibi-lo, o que gerou notícias ainda antes da estreia. Mas se vê que é um quadro dispensável, que não é engraçado e nem informativo, e que logo morrerá.

Como se vê, mesclar humor com informação não é tarefa fácil. O desafio é fazer o espectador rir e se divertir, ao mesmo tempo em que se mantém intocada a credibilidade da informação. Difícil, mas extremamente eficaz quando bem feito. 

Por André San

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1 comentários :

  1. Se esses dois programas são de humor,eles deveriam nos avisar qual é a hora que devemos rir.

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