EXCLUSIVO: "Eu posso ceder em muitos pontos, nunca em descer o nível da qualidade do que faço"


A novela “Joia Rara” chega ao fim no próximo dia 04 de abril, após quase sete meses no ar. Escrita pela dupla Thelma Guedes e Duca Rachid, a produção tem um dos melhores elencos já escalados para um folhetim e, bem avaliada pela crítica, tem chances de, tal qual “Lado a Lado”, ser contemplada com um Emmy Internacional.

Em conversa exclusiva com o RD1, uma das autoras, Thelma Guedes, faz um balanço da história. Ela revela como lida com os índices de audiência, comenta as notícias sobre emplacar uma produção às 21h, conta estar disposta a escrever um seriado na Globo e, por fim, garante: o público vai se emocionar até com Manfred (Carmo Dalla Vechia) nos capítulos finais de sua telenovela.

Confira:

RD1 - O fim do horário de verão deixou claro que “Joia Rara” foi prejudicada, já que tinha resultados melhores antes da mudança e, agora, com o horário normalizado, a novela voltou a crescer. Qual sua relação com a audiência?

Thelma - Eu escrevo telenovela para o público assistir, portanto, acompanho diariamente e me preocupo com o desempenho dela, com os números da audiência. Mesmo com a queda natural, decorrente do horário de verão, a gente tem que ficar atento, buscar os motivos para que o produto não tenha agradado tanto como poderia agradar. Mas uma coisa é certa: pra mim a qualidade do trabalho é fundamental. Eu posso ceder em muitos pontos, nunca em descer o nível da qualidade do que faço. Se eu errar em algum aspecto, não será por falta de tentar fazer o melhor!

RD1 - A novela teve mudanças significativas em seu ritmo após o grupo de discussão. Esse respaldo do público ajuda no desenvolvimento de um folhetim? Os acontecimentos já estavam previstos ou algumas sequências foram pensadas a partir do grupo?

Thelma - A novela não mudou em função do grupo de discussão, tudo já estava programado. Mas eu sinto que o público de hoje cada vez tem menos paciência para que a história seja plantada. E sem plantar bem acontecimentos, fica difícil depois ter o que colher. O desenvolvimento de uma trama precisa que ela seja introduzida antes, mas o público está muito ansioso por resultados e isso está se tornando um problema pra quem escreve novela. É um desafio que a gente tem que enfrentar, manter o público interessado no começo da novela, quando estamos apresentando a trama. A coisa tem que ser cada vez mais rápida, ágil. Haja imaginação! E tem outra: tem gente que reclama que a novela é rápida demais! Uma loucura! (risos)

RD1 - O noticiário aponta para uma nova novela, assinada por você e Duca Rachid, na sequência de João Emanuel Carneiro, no final de 2015 ou início de 2016. Vocês realmente vão estrear na principal faixa de novelas da Globo?

Thelma - Juro que não sabemos. São boatos dentro e fora da Globo, mas ninguém da direção bateu o martelo sobre isso. Logo depois de “Cordel Encantado”, apresentamos algumas pré-sinopses. Uma delas era para novela das 21h. Parece que a história agradou, mas não houve nenhuma conversa definitiva. Agora, só estamos pensando mesmo em descansar muito! A novela foi longa e começamos logo depois de “Cordel”. Tivemos muito pouco descanso entre “Cordel” e “Joia”.

RD1 - Como vê o desafio de escrever para às 21h, onde as cobranças por resultados são maiores? E isso levando em conta o fato de o público estar cada vez mais crítico nas redes sociais.

Thelma - Ainda não sabemos se vai acontecer, mas, se acontecer, eu vejo o trabalho em qualquer horário do mesmo jeito. Quem está na chuva é pra se molhar. Se eu não quisesse cobrança, eu estaria fazendo outra coisa.

RD1 - Como é escrever uma história em parceria? Como fazem pra chegar num acordo quando pensam num desfecho diferente para uma personagem, por exemplo?

Thelma - O segredo de uma boa parceria é respeito e diálogo. As discordâncias têm que ser negociadas. E sempre acabamos chegando a um bom termo. Muitas vezes, em vez de negar simplesmente uma ideia de que não gostamos, nós tentamos ver como fazer para ela ficar melhor. Fazemos isso o tempo todo. Em vez de ficar brigando e teimando que uma ideia é ruim, tentamos melhorá-la! E isso dá muito certo!

RD1 - A Globo tem investido pesado em séries, com diversos lançamentos ao longo do ano. Você tem vontade de emplacar um projeto nesse sentido?

Thelma - Opa! Tenho muita vontade! Ideias é que não faltam!

RD1 - “Joia Rara” está na reta final, com diversos acontecimentos ao longo das últimas semanas. O que o público pode esperar nos próximos capítulos?

Thelma - Muitas revelações, lágrimas e risadas, algumas mortes e muitos nascimentos!

RD1 - Vocês conseguiram que dois vilões, Ernest e Sílvia, ganhassem o perdão do público. Ernest, inclusive, tem torcida nas redes sociais. Como avalia esse resultado positivo?

Thelma - A nossa história se fundamenta no Budismo, que prega a Compaixão, o Amor, o Perdão, a possibilidade de Transformação. Acho que a mudança desses vilões foram construídas de maneira sólida na trama, em acordo com o tema da novela. Mesmo o Manfred, eu garanto que vai todo mundo ficar com pena dele.

RD1 - Qual balanço faz após quatro novelas com sua autoria?

Thelma - Nossa, nem acredito que esta foi a quarta novela! Acho que o balanço é muito positivo. E uma coisa posso dizer: Duca e eu, ao longo destes trabalhos, sempre demos tudo de nós! Somos autoras entusiasmadas e empenhadas. Queremos dar o melhor ao público. Claro que a gente não pode acertar e agradar o tempo todo, mas nunca damos as costas pro telespectador. Nem abrimos mão de oferecer o melhor que podemos fazer!

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