“Quem Quer Casar com Meu Filho?” e os divertidos realities fakes


Desde que se tornou febre na televisão mundial, o reality show mostrou muitas facetas ao público. O preferido continua sendo o “reality de observação”, tendo no Big Brother Brasil e A Fazenda os principais sucessos do gênero no Brasil. Mas o público também já viu realities musicais, como Ídolos e The Voice; de transformação, como Lar Doce Lar e Esquadrão da Moda; de competição, como O Aprendiz; de “sobrevivência”, como No Limite; e de superação pessoal, como Dança dos Famosos. O formato permite uma variedade de subgêneros que garante sua sobrevivência.

Na imensa cartela de reality shows vista na televisão brasileira desde 2000, quando o formato foi lançado no país, destacaram-se alguns programas que acabaram divertindo justamente por não terem absolutamente nada de “realidade”, que seria, em teoria, a principal característica deste gênero televisivo. Claro, na verdade poucos destes programas tem algo realmente de real, mas alguns extrapolaram os limites da “falta de realidade”. Tanto que poderiam ser chamados de “reality fake shows”, apostando numa improvisação ensaiada que, por uma série de motivos, acaba se tornando interessante. 

Um dos primeiros programas que se enquadra nesta categoria visto no Brasil é Simple Life – Mudando de Vida, exibido pela Record em 2007. A proposta da atração era colocar duas “patricinhas” conhecidas do público para viver dias de uma vida simples no campo. A ideia inusitada já diverte pela premissa. Mas, na prática, soou bem falso. Isso porque as protagonistas da atração escolhidas pela Record, Karina Bacchi e Ticiane Pinheiro, nunca foram conhecidas pelo grande público como moças patricinhas e fúteis. Karina sempre associou sua imagem a programas sociais, enquanto Ticiane ainda era pouco conhecida do público e, antes do reality, vinha construindo uma carreira de atriz digna (ambas participaram da novela Cidadão Brasileiro). 

Assim, o que foi visto em cena foram as duas moças “forçando uma barra” para parecerem estar realmente sofrendo longe da vida boa da cidade, sem poderem fazer compras ou falar ao celular. Algumas situações da vida na roça podem realmente ser novidades para as mocinhas, mas o deslumbramento de ambas diante de algumas delas era claramente orientação da produção. Claro, sem seus “ataques”, não haveria programa. Quem assistiria um programa para ver duas moças ordenhando uma vaca e alimentando as galinhas numa boa? No entanto, mesmo estando claro ao público que nem tudo ali era real, Simple Life – Mudando de Vida era absolutamente divertido. As aventuras das duas moças na roça arrancavam gargalhadas, e até elas mesmas pareciam se divertir bastante naquele contexto bizarro. A Record chegou a anunciar uma segunda temporada, com Carolina Magalhães no lugar de Ticiane Pinheiro, mas a ideia não foi adiante.

Outro reality fake show que divertiu surgiu na Band em 2012. Mulheres Ricas nada mais era que um festival de deslumbramento protagonizado por mulheres endinheiradas do naipe de Narcisa Tamborindeguy, Val Marchiori e Brunette Fracarolli. O programa mostrava a convivência do grupo diante de festas, passeios em iates, e compras, muitas compras. Claro, tudo temperado com muitas alfinetadas. A ideia ali não era retratar a realidade de nada, e sim apostar fundo na exploração do estereótipo da rica fútil e deslumbrada. Enquanto apresentava ao público um universo milionário típico das revistas de fofoca, Mulheres Ricas se sustentava nas intrigas e nas “pérolas” ditas pelas participantes. Ou seja, o programa era bobo toda vida, mas hipnoticamente divertido. Durou duas temporadas.

Neste ano, a Band cancelou uma nova edição de suas Mulheres Ricas, substituindo-as pelo quase engavetado Quem Quer Casar com Meu Filho?. O novo programa também pode se enquadrar na categoria reality fake show, tamanha a dose de surrealidade que oferece a cada novo episódio. Mas, assim como seus similares, é irresistível. O programa conta com uma seleção de rapazes em busca de uma noiva. No entanto, as candidatas ao posto precisam passar pela aprovação de suas mães, todas típicas “sogronas” que tratam seus filhos como verdadeiros príncipes.

Quem Quer Casar com Meu Filho? caprichou na escolha dos participantes: há o “machista pegador”, o “príncipe bem-sucedido e mimado”, o “nerd virgem e tímido”, o “gay bem resolvido”, entre outros “tipos de homens”. Cada um carrega sua mãe, e as sogras também se enquadram nos mais diversos estereótipos. Em comum, todas elas tratam seus filhos com uma devoção clássica de mãezona, daquelas que parecem crer que não há mulher (ou homem) capaz de merecer o amor de seus “filhinhos”. Tudo soa fake: os embates entre as mães e os filhos, as provas surreais das quais são submetidas as candidatas, ou até a situação em si: quem, em sã consciência, escolheria um noivo neste contexto tão surreal? Sendo assim, Quem Quer Casar com Meu Filho? deve ser encarado como uma grande brincadeira. É tudo tão “fora da casinha” que se torna engraçado. 

Nenhum destes programas acrescentará qualquer coisa na vida de quem os assiste. Mas são bons divertimentos, puro e simplesmente, sem contraindicações. E quer saber? Qualquer um deles é melhor que qualquer Big Brother da vida...

Por André San

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