Entrevista: Sarah Oliveira fala de MTV, Globo, GNT e muito mais


Ela é Sarah Oliveira — a “Sarah da MTV” ou a “Sarah do ‘Disk”, para os saudosos do canal musical. Foram seis anos de trabalho prestados à MTV Brasil, onde comandou o “Disk MTV” e “Top 20 Brasil”, dentre outros. Uma escola que lhe ensinou não apenas a trabalhar em frente às câmeras como também estar apta para produzir um programa em todas as suas fases, do roteiro, passando pela captação e edição.

Ao sair da MTV Brasil, em 2006, Sarah Oliveira assinou com a Globo, onde fez reportagens para os programas “Vídeo Show” e “Mais Você”. Na sequência, foi liberada pela emissora carioca ao projetar uma atração que seria veiculada pelo “Fantástico”, enquanto quadro. Um diretor da Casa viu no formato potencial para voo solo e, assim, nasceu o “Conexão Direta”, no GNT.

Logo o programa mudou de nome e nasceu o “Viva Voz”, que já teve especiais com novelas, músicos e, atualmente, em ano de Copa do Mundo, fala de futebol. Os especiais musicais geraram o “Na Trilha da Canção”, documentário que terá sequência em breve, como a apresentadora revela nesta entrevista exclusiva ao RD1.

Confira:

RD1 - Você está no ar com o “Viva Voz Futebol” e já declarou não ser muito ligada em futebol. Teve dificuldades para se preparar para esse programa?

Sarah - Não diria dificuldades, mas tive que aprender algumas coisas. Não sabia nem o que era um zagueiro ou um volante. Mesmo sendo um programa de comportamento e a pauta girar em torno disso, e não do futebol, do esporte em si, fiz questão de ver em vídeo todos os lances mais marcantes dos meus convidados: o carrinho que o David Luis deu pra impedir aquele gol da Espanha no final da Copa das Confederações ou as jogadas lindas do Paulinho pelo Corinthians — ele levou o timão nas costas quando atuava nele — ou qualquer drible e gol do Ronaldo — não é à toa que é ele o “fenômeno”, o que ele fazia no campo é um balé, coisa linda! —; Romário, que não curtia treinar mas entrava no jogo como se tivesse treinado horrores, o homem-gol ou, então, o Zico — mestre! — batendo falta com aquela técnica preciosa dele… Aí eu fiquei bem envolvida e entendendo mais ainda a importância destes caras dentro do futebol. Isso me deixou à vontade com eles. Na Copa, vou até ver um jogo da seleção inteiro, sem me distrair e esperando gol do David e do Paulinho!

RD1 - O “Viva Voz” te dá muitas possibilidades, já que produziu diversos formatos do programa, como musicais e com autores de novelas, além da versão futebol. Como você avalia esse programa?

Sarah - O “Viva Voz” é muito eclético, mesmo. A gente pode sempre voltar à grade com especiais ou com temporadas “normais”, depende do momento. Tenho uma equipe unida e querida, todos amigos que estão nesta porque gostam do projeto e sinto que o programa reflete isso. A Fê Thompson, é minha melhor amiga, empresária e produtora executiva. o Esmir Filho — cineasta responsável pelo longa “Os Famosos e os Duendes” e de curtas como “Alguma Coisa Assim” e “Tapa na Pantera” — é meu irmão e consultor editorial, quem formata comigo todos os programas, os especiais e os docs “Na Trilha da Canção”; a Vera Egito — roteirista de “Serra Pelada” e diretora de cinema — dirigiu desde 2010, depois o Daniel Ribeiro — diretor de “Eu Não Quero Voltar Sozinho”. Este de futebol foi a cineasta Flavia Thompson que dirigiu, enfim, todos meus amigos pessoais e todos do cinema. Acho que deu certo misturar estas duas linguagens. Não posso dar detalhes, mas posso adiantar que no segundo semestre teremos novidades em relação ao “Viva Voz” e, no ano que vem, criarei outro “Na Trilha Da Canção” — meu documentário musical e xodó. Tô feliz por isso também. Amo o GNT e ter meus projetos no canal é uma satisfação profissional e pessoal. Tenho orgulho de ter feito parte da MTV e agora do GNT, dois canais que sempre produziram conteúdo inteligente e dos quais sempre fui telespectadora.

RD1 - Ele já surgiu pensado dessa forma ou vocês foram moldando com o tempo?

Sarah - Eu tive a a ideia do formato em 2010, este talk show com anônimos fazendo um diálogo com o artista através das locações inusitadas — eu ainda era contratada da Globo e mostrei pro “Fantástico”. Um dos diretores da Globo, o Luiz Gleiser, achou a cara do GNT e que renderia um programa e não um quadro. Então, ele me ajudou a fazer esta ponte. Eu e Esmir formatamos pensando no GNT e minha empresária procurou a Letícia Muhana — diretora do canal na época — e apresentamos. Ela adorou. Aí, “migrei” pra Globosat. A Globo foi muito bacana comigo.

RD1 - Como você acha que teria sido a aceitação do programa enquanto quadro, na Globo?

Sarah - Deu muito certo no GNT pois temos muita liberdade editorial e estética. Talvez na Globo, por ser uma emissora aberta, teríamos que mudar a linguagem, a montagem, os planos, os quadros, o uso da go pro, da 5D. Talvez não “caberiam” lá — e algumas locações “modernosas” também não! (risos)

RD1 - Na Globo você teve passagens pelo “Vídeo Show” e “Mais Você”. Como foi essa fase e a repercussão junto ao público?

Sarah - Eu fiquei quase cinco anos no “Vídeo Show” e senti muita diferença. Eu vinha da MTV, onde só era conhecida pelo público jovem e teen. Com o “Vídeo Show”, viajei o Brasil todo pra fazer matérias de making off. Acre, Sertão da Paraíba, interior do Sul, etc, e todo mundo assistia e amava o “Vídeo Show”. Era impressionante. Na época, dava 18 pontos de audiência. É muita loucura isso, gente! E eu trabalhava com uma equipe do Rio e outra de São Paulo, gente finíssima que se tornaram grandes amigos. Eu adorava fazer o “Vídeo Show” e viajar! Fiquei um mês na Índia gravando. Dos momentos mais especiais da minha vida pessoal e profissional… inesquecível!

RD1 - Ainda te ligam à antiga MTV e você também é nostálgica com relação ao canal, sempre compartilha alguma coisa nas redes sociais. Acha que a TV nacional perdeu sem as experimentações que eram promovidas ali?

Sarah - Olha, o que rolava na MTV era muito pontual e específico. As pessoas que estavam por trás da emissora eram os telespectadores do canal, sabe? Quem estava ali produzindo, dirigindo, fazendo câmera, era quem um dia ligou pra votar no Nirvana no “Disk”. Rolava uma vontade absurda de fazer uma TV que não idiotizasse a audiência, principalmente a audiência jovem. Quase todo mundo ali tinha seu lado B, sua integridade preservados. Posso ser ingênua dizendo isso, mas eu realmente sentia isso.

As pessoas tinham uma paixão em comum: a música. E também eram muito bem informadas sobre o que rolava no país. Isso faz toda diferença. Gente jovem, com acesso a cultura e com um espírito transformador. A energia que transbordava ali era essa. A gente dividia o mesmo camarim com os outros apresentadores. um camarim micro, isso possibilitava o diálogo, a troca. Não tinha muito isso do glamour da TV, todo mundo ali ralava. Eu e a Person por exemplo, sempre participamos de reuniões de pautas, decupávamos nossas entrevistas, ajudávamos nas montagens delas. O Cazé era um criador e não só um apresentador, entende? Nós tínhamos essa liberdade e essa vontade. Hoje, eu produzo o “Viva Voz” pois aprendi na MTV a fazer isso. Não estávamos ali apenas pra ler TP, a gente tinha que gerar conteúdo. Foram 6 anos de muito amor, trampo e aprendizado, e éramos novinhos, o que deixa uma marca forte na nossa memória afetiva. Foi tudo lindo.

RD1 - Já conferiu alguma coisa da “nova” MTV?

Sarah - Não assisti ainda!

RD1 - Você não expõe muito sua vida pessoal, apesar de dividir um pouquinho de sua fase mãe com os fãs. Qual a diferença da Sarah Oliveira antes e depois de Chloe?

Sarah - Pois é, eu às vezes consigo que o Thiago — meu marido, low profile total — “libere” que eu poste algumas fotos da Chloe, de relance. Ele não gosta de ver o rosto dela escancarado por aí e eu respeito. Também acho que não iria curtir super expor a pequena. Não combina comigo, embora adore acompanhar as fotos que amigos postam de seu dia a dia. Cada um tem seu perfil e sua proposta de vida e de trabalho. Eu realmente estou muito feliz com ela. Uma menina carinhosa demais. Todo o meu raciocínio mudou, o funcionamento da casa, minha relação com Thiago, com minha mãe, com meus irmãos, enfim, os papéis se modificam! Seu marido e você e agora tem uma continuação viva da parceria de amor e de vida que vocês estabeleceram. Você deixa de ser filha e passa a ser mãe; deixa de ser a irmã super-protetora e passa a aprender a contar com seus irmãos, agora tios. Essa transformação é orgânica e se você tiver serena pra aproveitar o que de interessante e bom ela te traz, é maravilhoso, Você ressignifica os papéis todos. Acho lindo! Então, com certeza terei mais filhos. Tô apaixonada!

RD1 - Você já declarou não ter babá, totalmente o oposto de muitas famosas, mas é algo que a sua rotina permite, por poder levá-la à produtora e em gravações. Se considera privilegiada por poder trabalhar e ao mesmo tempo estar presente na vida dela?

Sarah - Na verdade, a pergunta da jornalista era bem enfática: “Você tem babá? Aquelas tradicionais que usam branco?”. Eu respondi que não, e essa é a pura verdade. Eu tenho uma pessoa que me ajuda em tudo em casa e vem todo dia — a Dalva — e uma faxineira que vem duas vezes por semana — Dona Odete. Ambas amam a Chloe. Se eu precisar, dão banho, almoço, passeiam! A Dalva fica 1h a mais se o Thiago não está ou se minha mãe ou minha sogra não podem ficar — quando eu tenho gravações ou eventos de trabalho à noite. O Thiago manja muito de tudo que envolve uma criança, isso traz segurança. E como você disse, ficar com a minha filha é algo que minha rotina permite. Tem gente que se organiza de outras formas e temos que respeitar o funcionamento de cada casa. Chloe é mto minha parceira e me acompanha muito. Quando não é adequado, arranjo meus esquemas. Amamentei por um ano e consegui trabalhar e até viajar a trabalho — tirava leite com a bombinha e deixava armazenado pra quem tivesse com ela dar de dia e o Thiago à noite. Eu a levo na natação três vezes por semana, agora vai começar a escolinha… Vai ser mais fácil! Não sei como será com o próximo filho, mas vou me adaptando… com o maior prazer!

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