EXCLUSIVO: “O público vai se surpreender”, diz autor sobre dramaturgia da Record


Gustavo Reiz é um dos autores de teledramaturgia mais jovens do país. Aos 32 anos anos, já acumula três trabalhos enquanto titular na Record: a minissérie “Sansão e Dalila” (2011), uma das maiores audiências bíblicas do canal, o remake de “Dona Xepa” (2013) e um episódio de “Milagres de Jesus”, cuja segunda temporada estreia na próxima quarta-feira (28).

Reiz também foi co-autor de “Os Ricos Também Choram” (2005) no SBT e da série “Fora de Controle” (2012), além de colaborador de “Luz do Sol” (2007) — as duas últimas são produções do canal de Edir Macedo. Tudo isso sem contar trabalhos no teatro, cinema e a publicação de diversos livros.

Recentemente, ele teve seu contrato renovado por mais cinco anos com a Record, emissora na qual tem previsão de retorno com uma nova trama já em 2015. Nesta conversa exclusiva com o RD1, Gustavo Reiz fala sobre a crise enfrentada pela dramaturgia da Record em 2013, faz um balanço de sua vitoriosa carreira e também dá pistas sobre o futuro profissional.

Confira:

RD1 - Você acertou novo compromisso com a Record e celebrou nas redes sociais o fato de emplacar 13 anos no canal. Qual avaliação faz de sua trajetória?

Gustavo Reiz - Uma avaliação positiva, tenho orgulho dessa trajetória. Comecei como colaborador da Ana Maria Moretzsohn em 2007, autora que já admirava e com quem aprendi muito sobre escrever para a televisão. Depois trabalhei em outros projetos com ela — que não entraram em produção —, fui analista de projetos durante um tempo, colaborei com outro autor que admiro — Marcílio Moraes —, apresentei sinopses próprias e fui escalado para assinar meus primeiros trabalhos. Pude trabalhar em diversos gêneros diferentes e fico muito feliz pela confiança da emissora em meu trabalho.

RD1 - Sente-se prestigiado? Você é jovem e já emplacou diversas produções na emissora.

Gustavo Reiz - Sim, principalmente por saber que isso é resultado de muito trabalho e dedicação. Realmente me orgulho de ter trabalhado em produções tão distintas. Colaborei em novela contemporânea, série policial, desenvolvi projeto juvenil — cheguei a adaptar sinopses mexicanas —, assinei minissérie bíblica e uma novela com bastante comédia e drama, que foi “Dona Xepa”. Considero um prestígio colocar todas essas histórias no ar.

RD1 - Você assinou uma das primeiras minisséries bíblicas da Record. Tem vontade de voltar ao formato? O público da emissora aprova as abordagens e você até colaborou com “Milagres de Jesus”.

Gustavo Reiz - Sempre gostei de tramas de época. Sou formado em História e mergulho em pesquisas em quase todo trabalho que faço. Não é simples escrever um trabalho bíblico, cada capítulo é um desafio. Mas o resultado no ar é incrível, é incontestável a qualidade das minisséries bíblicas da Record. Tenho projetos diferentes da emissora. Mas se for escalado para outra produção do gênero farei com prazer.

RD1 - “Dona Xepa” conseguiu reverter a trajetória de queda da dramaturgia da emissora. Você é um autor preocupado com resultados, que acompanha os índices dia a dia?

Gustavo Reiz - Acho que faz parte do trabalho do autor de novela acompanhar não só os índices como as tendências do público. É importante assistir outras novelas, saber o que está indo ao ar, o que está agradando, o que está sofrendo rejeição. Não tem fórmula, mas quem faz novela tem que amar novela, tem que se interessar por aquilo que público quer ver. “Dona Xepa” foi uma produção desde o início pensada para ser mais enxuta, com uma frente maior de capítulos, conduzida quase como uma obra fechada. Tentei ser o mais intuitivo possível, pois não teria muito a possibilidade de modificar o rumo de alguns personagens, valorizar os que agradariam, apostar em alguns romances que teriam potencial, enfim, recursos normais de uma obra aberta. Mas ainda assim acompanhava os índices e fiquei feliz com o resultado final. Chegamos aos dois dígitos por várias vezes e terminamos com 14 pontos de audiência no Rio e 11 em São Paulo, empatando na liderança por alguns momentos no capítulo final. A sensação foi de dever cumprido, tenho um grande carinho por esta novela e por todos que participaram dela.

RD1 - A Record está voltando a investir em dramaturgia, após muitas demissões em 2013. Chegou a se assustar na época ou acredita que o processo de reestruturação foi importante?

Gustavo Reiz - Toda empresa passa por momentos de reestruturação e é claro que isso assusta e gera ansiedade. Não tenho como avaliar isso, mas o fato é que, atualmente, a emissora está a todo vapor, produzindo séries, minisséries, telefilmes e um segundo horário de novelas. É excelente para todos os profissionais da área, temos que valorizar e torcer para que se produza cada vez mais. Estou muito confiante com o que vem pela frente na teledramaturgia da Record. O público vai se surpreender bastante.

RD1 - As emissoras têm investido bastante em séries, tanto as pagas quanto as abertas. Tem projetos para produções assim, enquanto titular?

Gustavo Reiz - Sim. Sou fascinado por séries, o formato é uma tendência mundial. A parceria da Record com as produtoras independentes também possibilita bastante a variedade de produtos. Torço para que também consolidemos um horário de séries nacionais, de temas variados. Estamos no caminho para isso.

RD1 - Você tem diversos livros publicados. Almeja emplacar essas histórias na TV?

Gustavo Reiz - Recebo muitas mensagens de leitores dizendo que as histórias dos livros dariam bons filmes. Como não podia deixar de ser, meus livros têm muitos elementos de roteiro e certamente poderiam ser adaptados para TV ou cinema. Existem projetos, já roteirizei alguns. Mas, independente da história, tenho uma enorme vontade de escrever para adolescentes na TV. Ainda não tive essa oportunidade.

RD1 - O noticiário aponta para seu retorno em 2015, com novela ou minissérie. O que os telespectadores e os fãs de seu trabalho podem aguardar do próximo passo de Gustavo Reiz?

Gustavo Reiz - Teatro, cinema, TV… Já estou trabalhando para voltar em breve, é o que eu posso dizer. Agradeço muito aos que acompanham meu trabalho e me mandam mensagens pelas redes sociais. Independente do produto que vem por aí, posso garantir que farei o meu melhor para trazer sempre boas histórias aos telespectadores.

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