O grande equívoco de "Em Família" está na construção dos personagens


Em família foi um novelão na segunda fase. Além do bom ritmo, os personagens eram melhor definidos e delineados. Já na terceira fase, a maioria dos personagens individuais e dos casais que o autor nos apresentou foram mal construídos.

Helena é o rancor em pessoa. É bem sucedida, tem um bom marido, mas vive remoendo o passado. O público poderia até torcer por ela se tivesse certeza, por exemplo, de que realmente detesta o Laerte pelo que ele fez e que por isso é que não suporta a ideia dele ter um caso com a Luiza. Mas o autor não deixa isso claro. Ou seja, não sabemos se a Helena quer proteger a Luiza do Laerte ou se a Helena ainda ama intensamente o mala e por isso não aceita o romance dele com a filha. 

Luiza é uma mimada, egoísta. A patricinha que é tão independente e sai de casa, mas continua sendo bancada pelos pais. E o pior de tudo: como gostar de uma personagem que está namorando um cara que enterrou o pai dela vivo? Se ela não soubesse, poderíamos dar um desconto, mas ela sabe. Cadê a consideração pelo pai? 

O Laerte antes era agressivo, bem definido. Agora não é uma coisa nem outra. É um cara chato, egocêntrico e o pior: toca aquela flauta irritante, que me desculpem os flautistas. Brincadeira à parte com relação a flauta. Queria só saber como um mala daqueles atrai tanta mulher? Só na cabeça do Manoel Carlos mesmo. O Laerte para funcionar ou tinha que ser um cara do bem, disposto a reparar o que fez no passado ou ser um mau caráter, um bandido completo. Não é uma coisa e nem outra. Laerte e Luiza como casal, então, sem comentários, simplesmente um dos piores da história novelística. Não funcionam, não angariam torcida. 

Clara e Marina. Tenho uma outra visão delas agora. De repente, quiseram mostrar como é difícil escolher entre o bom e o bom. Explico: Cadú é um cara bacana, a Marina também é bacana. A Clara gosta do Cadú, mas se encantou pela Marina. É uma escolha difícil. Difícil para a Clara porque o público escolheu o Cadú, que já estava com ela antes. Simples assim. Eu entendi só agora o que o Manoel Carlos quis, mas para atingir o grande público não foi um bom negócio. Para o público torcer por Clara e Marina o Cadú no mínimo tinha que ser um péssimo marido. Ajudaria também se eles não tivessem um filho que ainda é uma criança. 
No momento, os casais mais simpáticos da novela são: Dona Juliana e Jairo, sim é isso mesmo, Dona Juliana e Jairo e Chica e Ricardo. Esse último casal eu particularmente torço muito por eles, mas não são do núcleo central, que para mim está perdido.

Para finalizar, e não transformar essa coluna em um livro, já que teria muito mais para relatar, quero analisar a Selma. Selma daria uma ótima megera. Vi um embate entre ela e a Helena e não consegui tirar os olhos, mas como se já não bastasse o tanto de gente doente que tem na novela, o Manoel Carlos resolveu que o melhor pra Selma é ser senil. Ela poderia render muito mais lúcida. Outro erro de construção, outro desperdício. Fico por aqui, um abraço a todos e até a próxima.

* Gilmar Moraes

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2 comentários :

  1. Jairo e Juliana fucionam mas casal de mocinhos gosto de barbara e Andre
    Vou no site so pra ver cenas deles
    Cláudia Taissa

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  2. A novela toda é um equívoco.péssimos atores,história horrível s/ emoção.A solução é encurtá-la logo e adiantar a novela do Gilberto Braga, se a globo não quiser perder mais audiencia ainda.A sorte da globo é que a concorrencia no horário na tv aberta é muito fraco.

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