"Império" – Primeiras Impressões


Sou sempre suspeito para falar a respeito dos trabalhos urbanos de Aguinaldo Silva, pois tenho constantemente a impressão de que ele está contando a mesma história (coisa que ele disse que todo autor faz, em entrevista à Veja em 2004), afinal os protagonistas mesmo a partir de diferentes enfoques passam por dificuldades, crescem na vida, constroem uma vida de riqueza e superação, mas precisam lidar com uma prole ambiciosa e que querem lhe passar a perna (Vide os protagonistas Valdomiro Cerqueira, Maria do Carmo e agora José Alfredo), mas vamos ao que interessa: O primeiro capítulo de “Império”.

Aguinaldo e equipe mostram aqui que aprenderam com o erro de “Em Família” e ao invés de jogarem o telespectador na primeira fase da trama, o levou direto para o presente, onde a partir de lá voltou-se anos antes para que se fizesse conhecer o passado que levou José Alfredo à glória. “Em Família” pelo contrário, amargou a rejeição do público quando a terceira fase chegou, pois a direção mal acostumou o público aos atores, clima e agilidade da segunda fase. 

A novela é, sobretudo, uma história simples, e com um pouco de sorte repetirá o sucesso das anteriores escritas pelo autor já que possui forte apelo popular. O drama comum nos leva a situações quase clichês e já vista em diversas tramas, nacionais ou importadas. Tudo parece ter sido pensado a fim de se fazer uma novela tradicional e não revolucionária, numa zona de conforto em que até a trilha sonora é requentada (pelo menos a julgar pelo primeiro capítulo já que a Globo rapidamente liberou a trilha completa no site oficial).

Apesar de ter conseguido me localizar na temporalidade da trama fiquei um tanto perdido em relação à sua localização, quando numa determinada fala, Eliane disse que José Alfredo tinha ido de Pernambuco para o Rio há duas semanas, o que ainda me deixou intrigado já que Eliane aparentava também ter sotaque pernambucano.

Quanto à fotografia, nada de novo, iluminação lavada, baixo contraste, uso de steadycams e aparentemente poucas cenas ousadas com o uso de handycams, e saturação baixa tal qual “Amor à Vida”.  Boa interpretação de todos, mas a vilã da trama, Cora de Marjorie Estiano ainda não me convenceu, não pela atriz, mas pelo texto. Não vi com maus olhos o que ela fez à irmã, talvez apenas uma forma estranha de proteção, mas nada que pudesse predizer (como o próprio diálogo posterior entre as duas o fez) se tratar de uma pessoa ruim. Creio que a verdadeira vilania de Cora só virá à tona na segunda fase, com Drica Moraes.  Enfim, tivemos um primeiro capítulo ágil, interessante e coeso, e espero que o resto da novela seja assim.

*Por João Paulo Reis

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