Record também tem problemas com profissionais que não entendem de novelas


A teledramaturgia da Record nunca foi saudável, mesmo em seu período áureo. Sempre houve falta de planejamento, de comprometimento com horários, exageros no orçamento, com a conta chegando agora como podemos observar através do desmanche que vem sendo feito. Mas a crise veio à tona com a novela Máscaras, de Lauro César Muniz. Uma trama pra lá de esquisita que, de tão misteriosa, o público não entendeu. Resultado: péssima audiência.

Mas Máscaras não entrou no ar sozinha. Alguém aprovou. O autor teve culpa no fracasso, teve, mas a culpa maior foi da direção da emissora que não teve ninguém com sensibilidade o suficiente para ver que a novela não iria agradar. E a falta de tato para lidar com situações adversas ficou provada. Com o fracasso, Máscaras foi empurrada para bem tarde e encurtada. Encurtar não foi um erro, mas ela poderia ter ficado mais um tempo no ar para que pudessem preparar melhor sua sucessora.

Balacobaco, que lembro bem não iria ter esse nome horroroso e nem pegada cômica, foi produzida às pressas e jogada aos leões. Também não foi bem e nem poderia, já que era uma tentativa de se fazer algo próximo à Cheia de Charme e a história que tinha uma boa espinha dorsal ficou perdida ao apostar no humor forçado e sem graça. 

Depois veio Dona Xepa, talvez o maior acerto, entre os fracassos, já que tinha uma audiência um pouco melhor e era bem mais barata que suas antecessoras. Na sequência estreou Pecado Mortal, novela melhor que muitas da Globo, mas com um sério problema: não atingia o grande público, fugia do convencional e digamos que para uma emissora que estava querendo recuperar seu público essa não é a melhor tática. Deveriam ter apostado numa novela mais abrangente e tinham um autor capaz de fazer, Carlos Lombardi, que tantas novelas populares escreveu na Globo. 

A novela estava mal das pernas e aí vem a brilhante ideia de mudar de horário e competir com Em família, que é o pior ibope das nove, mas mesmo assim longe de ser fácil ou até possível da concorrência vencer. Pecado mortal não cresceu e ainda virou freguesa de Rebelde. Chegamos à Vitória. Tinha tudo pra ir melhor, mas além de lançarem a novela perto da copa começar, ainda continuaram no erro de enfrentar a novela das nove. Resultado: Levaram um banho de Em família e ainda de quebra perdem pra Rebelde. Não aprenderam nada com os resultados de Pecado Mortal. Poderiam ter escolhido um outro horário para Vitória que vai penar ainda mais, já que creio que Império se sairá melhor que Em família.

A direção da Record, atualmente, é composta por membros da igreja, inclusive no que tange à teledramaturgia, que não entendem muito de televisão já que igreja e televisão são coisas bem diferentes. Apesar de ter vários diretores de núcleo, são os executivos que aprovam as novelas que irão para o ar, os horários, as estratégias de programação e de divulgação e aí a coisa fica feia porque se o Schroder da Globo, como disse na coluna passada, não entende muito de novelas, pelo menos ele tem em suas mãos a Globo, a mais respeitada do ramo, o que não é o caso da Record que a cada novela que estréia tem que conquistar o público e sem um profissional — ou mais — que saiba avaliar que rumo tomar, a situação da teledramaturgia da emissora fica cada vez mais grave. Fico por aqui, um abraço a todos e até a próxima.

* Gilmar Moraes

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