Globo transforma "Criança Esperança" em "Show da Virada" sem emoção


O "Criança Esperança" era um dos eventos televisivos mais aguardados do ano. Seja em razão da sensação proporcionada ao público, de estar contribuindo com uma causa, ou pelo entretenimento. Bem-humorado, pra cima, o show contagiava a plateia e registrava altos índices de audiência.

A plateia, no caso, virou figurante. Os apresentadores deixaram de mostrar os presentes, a vibração daqueles que foram conferir de perto o evento beneficente. A vibração e emoção, também saíram de cena. Os artistas viraram robôs sem atitude, que apenas leem o que está escrito no teleprompter.

Isso — uso do teleprompter — sempre ocorreu no "Criança Esperança" e, neste ano, até existiu um diferencial: os famosos contaram situações pessoais, como Xuxa com a lei 'da palmada' e Tony Ramos falando de sua participação no Amigos da Escola. Mas entravam no palco, 'vomitavam' o texto e saíam de cena, chamando um musical.

Situação totalmente oposta ao Mesão da Esperança, liderado pela sempre competente e entusiasmada Sandra Annenberg, que tentava trazer um pouco de vida ao apagado show. Mas estava difícil, já que Xuxa e Fátima Bernardes obviamente não estavam ao vivo quando a chamaram para tratar sobre o número de ligações.

A impressão, comum a muitas pessoas, é que a Globo transformou o "Criança Esperança" em uma nova edição do "Show da Virada", mas com depoimentos. E pensar que, não faz muito tempo, Xuxa, "Os Trapalhões"/"A Turma do Didi" e cia aprontavam muito nesse programa. Da mesma forma, a edição dominical com Luciano Huck, Angélica e Ana Maria Braga, tinha um astral acolhedor e não um tom depressivo como o que se viu.

Até Renato Aragão, antes apresentador oficial, virou mero coadjuvante, como todos os outros. Desta vez, no entanto, deixou uma mensagem subliminar no ar. "Ninguém vai tirar", disse ele, sobre sua participação no show anual.

A crítica, cabe frisar, não vale apenas ao "Criança Esperança: o "Teleton" também virou um programa sem as gincanas entre artistas propostas nas primeiras edições, focando apenas em depoimentos, vídeos e pedidos de doações. Por essas e outras, muitos somente ligam o televisor nas horas finais, para conferir o que Silvio Santos vai aprontar no encerramento.

Uma pena.

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