"Infelizmente ainda existe", diz Lucilene Caetano sobre preconceito


Contratada da RedeTV! desde janeiro, Lucilene Caetano tem se destacado durante as transmissões de XFC (Xtreme Fighting Championships), modalidade que não é novidade em sua vida, já que é adepta da prática de artes marciais e, sempre se dedicando ao jornalismo esportivo, já havia participado da cobertura de eventos de MMA em outros veículos.

Em conversa exclusiva com o RD1, Lucilene revela enfrentar preconceito por ser mulher e trabalhar nesta área, mas destaca os pontos positivos de ter conhecimento para tratar sobre o assunto e comenta seu estilo de vida, revelando qual o segredo para ter emagrecido 12kg em seis meses sem cirurgias. A profissional também posicionou-se contrária ao retorno de Dunga à Seleção Brasileira e tratou a respeito de um comentário polêmico que fez sobre a novela "Em Família", da Globo.

Confira a entrevista na íntegra:

RD1 - Você está à frente do XFC, considerado o segundo maior evento de artes marciais do mundo. Como é essa experiência?

Lucilene Caetano - Está sendo fantástico! O XFC chegou pra ficar no mundo das artes marciais e na TV aberta. Tem sido sucesso de audiência e toda equipe está muito feliz com o resultado assim como a emissora. Estar à frente desse projeto como apresentadora me faz crescer cada dia mais enquanto comunicadora e jornalista. Tenho aprendido bastante e curtido muito fazer, principalmente os eventos ao vivo.

RD1 - As pessoas te questionam por ser mulher e estar numa atração que aposta em lutas? Enfrenta algum tipo de preconceito?

Lucilene Caetano - Preconceito no meio masculino, infelizmente ainda existe, simplesmente pelo fato de ser mulher. Nós temos que provar duas vezes mais o quanto somos competentes para adquirir a confiança e credibilidade. Mas o fato de eu estar envolvida com o jornalismo esportivo por mais ou menos quatro anos já é bem tranquilo. Já falava de futebol quando morava em Goiânia e passei a falar de MMA quando mudei pro Rio de Janeiro. Agora em São Paulo, falo dos dois assuntos e gosto demais. São temas que acompanho e faço questão de entender pra saber o que falar. Dessa forma, minha última preocupação é em enfrentar o preconceito. Mostrando um trabalho feito com excelência e competência, não tenho nada a temer.

RD1 - Você começou a praticar artes marciais a partir de um ensaio e deu sequência. Qual a vantagem de desempenhar um tipo de esporte que na verdade acabou sendo seu objeto de trabalho?

Lucilene Caetano - O conhecimento. Conhecer aquilo que falamos faz toda diferença. É uma pena que não consigo jogar futebol (risos). Nas artes marciais, o bacana é que pratiquei por um bom tempo, dei uma pausa agora, mas esse tempo que pratiquei me deu base pra poder falar com mais conhecimento. É um trabalho de campo mesmo. De vivenciar aquilo que se fala. Além disso, meu namorado (Felipe Sertanejo) também é lutador do UFC e todos os amigos dele também, que já viraram meus amigos. Então, vivo muito de perto esse universo!

RD1 - Como foi enfrentar o "Desafio XFC" e saltar de um avião a uma altura de 12 mil pés? Está pronta para mais desafios como este?

Lucilene Caetano - Foi maravilhoso! Inexplicável! Uma emoção imensurável! Eu sempre quis saltar, mas nunca tinha tido a oportunidade. Quando me desafiaram, topei na hora! Eu amo desafios, eles me motivam. Tô pronta e disposta para os próximos!

RD1 - Você está na RedeTV! desde o início do ano. Qual o balanço faz de sua passagem pelo canal?

Lucilene Caetano - Como jornalista, tenho aprendido muito. A rotina da redação de uma emissora de TV, o levantamento de pautas e gravações de off´s, a escolha de entrevistados, enfim, é um universo delicioso de se trabalhar. Comunicação na veia mesmo e, enquanto apresentadora, tenho praticado o que acredito ser muito mais dom do que técnica. Eu amo conversar com a câmera sabendo que o telespectador está do outro lado me avaliando e se identificando com o que estou dizendo. E é magnifico trabalhar as entonações de voz, os sons, os meneios de cabeça, a postura, brincar mesmo de conversar. Eu tenho sentido um crescimento excelente enquanto profissional. E no pessoal acaba influenciando também! Eu, que sempre fui meio desligadona de moda e das demais coisas que eu digo ser muito de "mulherzinha", e hoje tenho me cuidado mais e me preocupado um pouco mais com a aparência até mesmo por conta do reconhecimento do público em geral.

RD1 - Em sua carreira, você sempre esteve ligada ao jornalismo esportivo. Foi uma opção, algo que sempre desejou?

Lucilene Caetano - Foi uma opção. Sempre gostei de esporte e sempre acompanhei. Como uma boa geminiana, sou muito ligada a tudo que envolve ação e movimento. Então, sempre curti esportes em geral, artes, cultura, gastronomia, música, dança e teatro. Mas, dentro do jornalismo, era o que eu queria mesmo fazer, o jornalismo esportivo. Penso em futuramente ir pro entretenimento, ter um programa com plateia ou até mesmo, quem sabe, um talk show! Mas isso é pro futuro, por enquanto estou bem feliz no jornalismo esportivo.

RD1 - Como avaliou o desempenho da Seleção Brasileira na Copa? Consegue apontar o maior erro de Felipão ou dos jogadores? E o que achou do retorno de Dunga?

Lucilene Caetano - Foi péssimo. Mas já passou e não vale a pena mais chorar o leite derramado. Agora é reestruturar e focar em uma nova fase bem positiva. Não concordo com o retorno de Dunga pois sou totalmente contra a "reeleição". Acho que, se teve oportunidade de fazer um bom trabalho com uma missão tão importante como a de um técnico de Seleção Brasileira e não conseguiu cumprir, não tem que ter segunda chance. Eu gostaria muito de ver o Zico ou o Tite, por exemplo, como nosso técnico.

RD1 - Você perdeu 12kg em seis meses, sem uma cirurgia de redução de estômago, algo atualmente tão comum. Você tenta estimular as pessoas que te questionam a respeito para a prática de exercícios e alimentação saudável?

Lucilene Caetano - Sim. Eu procuro fazer isso nas minhas redes sociais e no dia a dia, mas não concordo com o exagero. Acredito que tudo tem que ter um equilíbrio. Não dá pra entrar naquelas dietas malucas ou numa rotina de exercícios que acabe causando um overtraining. Eu procuro me alimentar de forma saudável mas não abro mão de coisas que gosto muito. Porém, também não exagero. Gosto de tomar uma cervejinha, um vinho, de comer uma massa, um bom churrasco, no entanto, se eu exagero num dia, me cobro em vários outros pra aumentar a rotina de exercícios e me alimento mais corretamente. Faço uma especie de substituição e procuro inserir frutas, legumes, saladas, chás, gelatinas, mel e sopas pra ajudar a manter a saúde em dia.

RD1 - Você criticou a novela "Em Família", por não retratar Goiânia de acordo com o que você conhece da capital. E a novela foi bastante criticada por diversos outros motivos. Você é noveleira?

Lucilene Caetano - Não sou noveleira. Tenho preguiça de acompanhar uma novela inteira. Assisto bem casualmente. Porém, o dia que assisti à novela e vi o que retratavam, fiquei revoltada. Parecia que Goiânia era uma roça. E não é. Eu amo roça, adoro mesmo! Fui criada indo pra fazenda todo fim de semana e sou apaixonada pela cultura caipira. Me sinto uma e com muito orgulho. Guardo os valores e princípios que aprendi. Mas Goiânia é uma capital, cheia de novidades e que agrada muito quem conhece. Então não gostei de ver minha cidade sendo retratada de uma forma que ela não é.

RD1 - Quais outros aspectos de seu dia a dia você destacaria, algo que surpreenderia o público acostumado a te ver tratando sobre artes marciais?

Lucilene Caetano - Eu gosto de cozinhar. Amo gastronomia e gostaria de me especializar mais no assunto. Por mais que pareça que eu leve uma vida de mulher moderna e super independente, eu adoro esse papel de ser mulher mesmo. Gosto de fazer supermercado, chegar em casa e preparar comidinhas deliciosas, receber visitas em casa... sou romântica e tenho uma fé gigantesca e inabalável em Deus! Gosto de ir à igrejas e não gosto de nenhum rótulo religioso. Apenas acredito em Deus e que ele está em todos os lugares. Sou mega caseira e gosto de ler, curtir minhas cachorrinhas — tenho duas da raça shitzu —e estar em família. Fujo de polêmicas e gosto de ouvir várias opiniões pra chegar a uma conclusão minha. Uma imagem que talvez muita gente não imagine, mas que é a minha realidade.

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