"Meu Pedacinho de Chão": Uma preciosidade televisiva


Termina hoje (01) um capricho de telenovela, talvez a trama mais rica em detalhes da história da Globo e da TV nacional. O cuidado do diretor Luiz Fernando Carvalho foi tão minucioso que, mesmo com todos os capítulos do remake já escritos por Benedito Ruy Barbosa, "Meu Pedacinho de Chão" teve atraso nas gravações.

Um atraso altamente justificável, diga-se de passagem. Qualquer telespectador, por mais leigo que seja, consegue ao menos imaginar o trabalho que deve dar para colocar um produto assim no ar. Dos figurinos à maquiagem, passando pelos cenários, animais de mentirinha, os workshops para trazer o elenco para o universo proposto pelo diretor, enfim, algo tão rico, que fica até difícil citar todas as qualidades.

O texto de Ruy Barbosa sempre foi um achado, seja tratando sobre temáticas rurais ou com seus imigrantes italianos, enquanto Carvalho tem se destacado por frequentemente tentar fugir do convencional, justamente num período em que as emissoras buscam se renovar para tentar capturar o público que tem fugido para a TV paga, internet ou demais recursos tecnológicos.

Antes da estreia, existiam duas certezas: ou "Meu Pedacinho" seria um grande sucesso ou um grande fracasso. Empatada com "Joia Rara", que tem a pior audiência da história, no final das contas, há o que comemorar: o folhetim manteve os índices da novela anterior, mesmo sendo absolutamente diferente do habitual  e correndo o risco de espantar o público da Globo, em meio a forte concorrência com o "Cidade Alerta", da Record.

Uma vitória ainda maior quando a pureza dos personagens de Vila de Santa Fé conseguiu sobreviver em meio ao caos das grandes cidades, retratado por Marcelo Rezende, Datena e cia. Aliás, os que foram fisgados por essa fábula, são unânimes: é forte candidata ao próximo Emmy Internacional.

Num universo tão mágico e cheio de profissionais que deram tudo de si, é impossível não destacar Irandhir Santos. O ator, na pele de Zelão, que oscilou entre o bem e o mal, sempre deixando claro em seu olhar a bondade que muitas vezes tentava esconder, tem um verdadeiro fã-clube nas redes sociais. Num período em que as TVs estão com galãs em falta, Irandhir surge como um oásis.

Paula Barbosa, neta do veterano autor, poderia ser alvo de críticas e preconceito por ter sido 'privilegiada', no entanto, sua Gina foi tão, mas tão bem-quista, que o noticiário apontou para a necessidade de seu avô reescrever algumas cenas para ampliar sua participação.

Ao mesmo tempo, Juliana Paes e Rodrigo Lombardi, que sempre dividiram opiniões com relação aos seus desempenhos enquanto atores, tiveram os 'papéis de suas vidas'. O trabalho de composição deles para Dona Catarina e Pedro Falcão, com direito a muitos trejeitos e um jeito diferente de falar, dão essa certeza de que atingiram outro status na carreira.

No time de veteranos, personagens à altura de Antonio Fagundes, Osmar Prado, Emiliano Queiroz e Ricardo Blat. Sensacionais também as participações de Inês Peixoto, Johnny Massaro, Flavio Bauraqui, Teuda Bara e as revelações, também com sobrenomes conhecidos, Bruno Fagundes e Gabriel Sater.

Tudo isso sem mencionar as crianças, trabalho primoroso de Tomás Sampaio e Geytsa Garcia, como os graciosos Serelepe e Pituquinha. Ah, e Bruna Linzmeyer, que novamente arrebentou após a Linda, de "Amor à Vida". Tudo isso, claro, sem desmerecer os demais: esta história valeu pelo conjunto da obra.

Um 'muitão' de preciosidade essa "Meu Pedacinho de Chão"! Merece mais que virar DVD, deveria render uma série, um filme, enfim, Luiz Fernando Carvalho poderia aproveitar a bela estrutura montada para a trama e dar sequência de alguma forma. É uma obra-prima que fará falta, pois encantou pela simplicidade e originalidade. Qualidade rara na TV brasileira, infelizmente!

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