Por que quando ela chora, eu me arrepio?


Infelizmente fui conhecer o trabalho de Lília Cabral um pouco mais tarde que grande parte do público. Foi com Laços de Família (2000). A atriz fazia a mãe da vilã Iris (Deborah Secco). A cena em que a personagem morre sendo baleada em um posto de gasolina era o retrato de cenas brilhantes que já foram realizadas por Manoel Carlos. Marcou a minha infância e fazia parte do caminho para me tornar tão fã do Maneco.

Depois me recordo da atriz em Chocolate com Pimenta (2003). Esposa do prefeito da cidade de Ventura. Papel que não foi possível demonstrar nem 5% da capacidade da atriz. Passou despercebido.

Cabe aqui uma curiosidade: depois de ter feito a inesquecível Nazaré em Senhora do Destino (2004), Renata Sorrah foi convidada por Manoel Carlos para viver a vilã Marta em Páginas da Vida (2006). A atriz recusou, não queria voltar a viver outra vilã em sequência. Talvez não soubesse da incrível personagem que deixou de viver. Foi à vez de Lília. Ali bateu um estalo. Que atriz! Sobressaía a todos em seu redor, em cada momento era visível a entrega. Venceu quase todos os prêmios naquele ano e foi indicada ao Emmy de Melhor Atriz em Novela.

Outra oportunidade veio com Catarina em A Favorita (2008). Mulher que era omissa ao marido, sendo por vezes agredida, e que deu a volta por cima. Emoção transbordando e mais um papel inesquecível.

Em diante veio outros papéis tão importantes quanto: Tereza em Viver a Vida (2009), que garantiu a segunda indicação ao Emmy, Mercedes no filme e série Divã (2011), Griselda em Fina Estampa (2011), sua primeira protagonista, Vitória em Saramandaia (2013) e agora Maria Marta em Império (2014).

Mas foi em 2010 que confirmei que ela sempre esteve ali, arrasando, mas faltava sua retomada. O canal Viva reprisou Vale Tudo (1988) e pude conferir Lília jovem vivendo a espevitada Aldeíde Candeias. A veia cômica era o ponto alto da personagem e divertia muito.

A verdade é que decidi fazer esse texto para homenagear essa atriz que, atualmente, tem estado diariamente magnífica em cena. Maria Marta tem as melhores falas da produção de Aguinaldo Silva, digo isso sem medo. Vai da vilanice até o lado humano sem em nenhum momento parecer irreal. É uma reunião de vários tipos em um só e sem se repetir. Ela emociona, diverte, causa indignação, tudo isso em um mesmo capítulo. É mais uma bola dentro dessa carreira brilhante e merece mais uma indicação e quem sabe dessa vez vencer o Emmy. 

A TV brasileira só tem a ganhar toda vez que esses olhos claros lagrimejam e o sorriso sobressai do rosto de Lília Cabral.  

* Guilherme Rodrigues

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