"Topo qualquer desafio como ator", diz Raphael Montagner, o neonazista Enzo de "Vitória"


Raphael Montagner é um dos destaques de "Vitória", trama na qual interpreta o neonazista Enzo, personagem envolvido em diversas polêmicas na trama de Cristianne Fridman, que tem conquistado a vice-liderança isolada em audiência.

Em entrevista exclusiva ao RD1, o ator trata sobre sua rotina de exercícios e alimentação, responsáveis por torná-lo mais musculoso para a produção. A barba e o cabelo raspado ajudam a compor o visual do vilão do folhetim da Record.

Apesar das maldades de Enzo, Raphael revela que ainda não enfrentou nenhuma abordagem negativa nas ruas, no entanto, sentiu uma mudança em relação aos olhares das mulheres: "Acredito que atraia mais o público maduro do que as menininhas".

Confira a íntegra da conversa:

RD1 - Você mudou sua rotina por conta do Enzo, com malhação e alimentação específicas para o personagem. Como era seu dia a dia antes do Enzo? Os exercícios eram muito diferentes?

Raphael Montagner - Mudei totalmente na primeira fase do Enzo, tanto alimentação como treino, para ganhar massa muscular. Isso envolve uma rotina de 24h, da quantidade de horas dormidas até a última refeição do dia. Agora, estou em outra fase, a pedido da autora Cristianne, para perder massa e ter mais definição muscular do que tamanho. Aí é outro processo (risos). Diminuir carboidratos e aumentar o aeróbio — no caso, corrida. Minha rotina antes do Enzo não era tão intensa e aplicada assim. Esse ano mexeu e mudou muito comigo, corpo, alma e mente!

RD1 - Você também se preparou para "Vitória" tendo aulas de história. Depois das aulas e da experiência com o Enzo, que pensamento formulou sobre o nazismo?

Raphael Montagner - Eu não tinha tanto conhecimento a respeito do movimento nazi e, a partir dos estudos que a Record proporcionou e a minha busca, cheguei a conclusão que todo e qualquer tipo de preconceito ou pré-juramento sobre algo ou alguém veta totalmente o crescimento tanto espiritual quanto mental de qualquer ser humano .

RD1 - A realidade das ruas não é muito diferente da vivenciada por Enzo. Como acompanha o noticiário sobre as agressões verbais e físicas relacionadas ao preconceito?

Raphael Montagner - É muito triste o que vemos nos jornais. Nosso país já tem tantos problemas na saúde, na educação. E o preconceito gera uma violência gratuita, temos que acabar com isso!

RD1 - Tendo um personagem tão polêmico em mãos, tem enfrentado repercussão negativa nas ruas?

Raphael Montagner - Nem tanto, mas as poucas coisas que pego, são olhares e coisas do tipo "Difícil fazer seu personagem, né?! Mas você não é nazista não, né?". As pessoas confundem o trabalho do profissional com o pessoal às vezes, mas levo sempre numa boa, com uma boa conversa tudo se resolve.

RD1 - Ao mesmo tempo, estando mais forte, notou uma mudança na forma com que as mulheres te olham? É mais paquerado agora?

Raphael Montagner - Não só pelo corpo, mas pela cabeça raspada e a barba grande. Mudança sim das pessoas em relação à paquera (risos). É um visual meio exótico, acredito que atraia mais o público maduro do que as menininhas (risos)

RD1 - Você é formado em educação física e trabalhou como personal trainer. O que pensa sobre o uso de anabolizantes?

Raphael Montagner - O uso de qualquer tipo de esteroide é prejudicial e sou contra, ainda mais como profissional da área da saúde que sou, mas não estou aqui para julgar, cada um que assuma e responda pelos seus atos... Mas que isso é comum no meio das academias é fato!

RD1 - Atualmente, existe uma preferência por vilões, e você afirmou gostar de fazer os malvados, por conta do desafio. Existe algo que não faria na profissão?

Raphael Montagner - Por incrível que pareça, a vida artística sempre está me conduzindo para o caminho de vilões (risos). Topo qualquer desafio como ator, mas confesso que prefiro muito mais representar papéis pesados que me deixem quebrar a cabeça pra criação artística ao básico café com leite.

RD1 - Você comentou que até seus pais notaram uma mudança agressiva em cena. Acredita que atingiu seu objetivo enquanto ator?

Raphael Montagner - Estou à procura de sempre melhorar e me aperfeiçoar. Chegar aonde eu quero, acredito que não (risos). Sou muito crítico e tenho a consciência de que a estrada é muito longa para ser respeitado e também porque o aprendizado é diário. Posso afirmar que a cada trabalho me torno mais maduro e um ser humano melhor, talvez isso ajude a encontrar mais rápido um caminho para a interpretação .

RD1 - Séries e filmes de ação estão nos seus planos. Os dois segmentos estão em alta no país, mas especialmente ligados a comédia. Acredita que o cinema nacional deveria apostar mais em outros formatos além do humor?

Raphael Montagner - Com certeza, afinal, o Brasil tem histórias e pessoas maravilhosas para se retratar e contar. Um exemplo é uma peça que fiz do diretor Vladimir Capella, que retrata a história de vida do Luis da Câmara Cascudo, um dos maiores historiadores brasileiros, de personalidade e vida incrível, que já conheci.

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