"Não foi nem um pouco fácil para mim", revela Lucinha Lins sobre viver agressora em série


Aos 61 anos de idade, Lucinha Lins, considerada um dos monstros sagrados da televisão brasileira, está vivendo sua primeira avó na teledramaturgia. Com netos na vida real, a veterana acredita que já estava na hora de ter papéis assim na TV: "Está tudo na normalidade da cronologia de uma artista."

Nesta semana, ela esteve no ar em dose dupla na Record. Em "Vitória", folhetim no qual vive Zuzu, e em "Conselho Tutelar", série que teve bons resultados de audiência e que foi extremamente elogiada pela crítica. Durante a participação especial, Lucinha interpretou uma médica que agredia a filha adotiva e foi denunciada por sua empregada doméstica.

Nesta conversa exclusiva com o RD1, além de tratar sobre os dois trabalhos, Lucinha relembra Vilma, vilã que é um dos marcos de sua carreira, fala de vaidade e faz uma revelação: ama cozinhar. "Eu sou cozinheira, quase não tenho unhas. Sou de família grande e acho muito importante estar junto dos familiares em volta de uma mesa", afirma.

Confira o bate-papo na íntegra:

RD1- A senhora deu vida à uma das vilãs mais marcantes da dramaturgia nacional, a Vilma de "Chamas da Vida", ovacionada pelo público e critica. A malvada também está entre suas favoritas?

Lucinha Lins - Tive indicação de melhor atriz pela revista "Contigo" fazendo esta personagem. Sem dúvida, a Vilma está entre minhas favoritas, não só porque era uma malvada, mas pelo texto que era maravilhoso. Me lembro que publicavam nas redes sociais as pérolas de Vilma! Ela falava barbaridades, mas sempre com um humor incrível. Foi um presentão poder representá-la!

RD1- Há quase 10 anos na Record, qual avaliação faz de sua trajetória na emissora? Atualmente, a empresa tem investido em diversas séries, minisséries e segue firme com as novelas.

Lucinha Lins - Quando entrei na Record, existia um slogan que dizia ‘a caminho da liderança’, e eu achava forte demais, acredito que não precisa disso. A Record tornou-se a segunda maior emissora do país de forma muito rápida, mas ainda é uma emissora muito jovem dentro do novo conceito e da nova filosofia de trabalho. Ela aprende a cada dia como encarar o mercado, como fazer parte da concorrência e a qualidade cada vez melhora mais. Não tem nada melhor do que uma concorrência saudável entre empresas, porque isso exige que a qualidade dessas empresas melhore cada vez mais e isso beneficia a todos nós enquanto plateia. Participar deste processo de crescimento da Record é um privilégio! Eu me sinto muito feliz aqui, é o meu trabalho, trabalho este que já fiz em outras emissoras, mas eu participo deste crescimento e isso me engrandece. É um prazer.

RD1- No ar em "Vitória" como Zuzu, a senhora vive sua primeira personagem avó. Acredita que a evidente jovialidade fez com que somente aos 61 anos tivesse netos em folhetins?

Lucinha Lins - Talvez. Acredito que isso depende muito do que o autor pretende. Eu sou avó na vida real e acho que sou uma jovem senhora, mas existem avós de 40 anos. Acho que a personagem combina com a minha idade. Está na hora de eu começar a interpretar avós. Eu não sou mais nenhuma gatinha para fazer apenas papel de mãe. Eu já fui a filha, já fui a sobrinha, já fui a noiva, a mãe e, agora, está na hora de fazer as avós também. Está tudo na normalidade da cronologia de uma artista!

RD1- Tendo declarado ser a "rainha dos cremes", o que pensa sobre os atores que cada vez mais se rendem às plásticas?

Lucinha Lins - Eu já fiz plástica. Não vejo nenhum problema nisso. Acredito que as cirurgias plásticas, as reparadoras, os botoxs da vida, os lasers e etc. são muito bem vindos, desde que sejam usados com critério. Quando muda a cara das pessoas e transforma demais, eu acho que, primeiramente, é uma necessidade interna de cada um, quem sou eu para criticar? Mas eu sou uma atriz e as pessoas reconhecem o meu rosto. Eu não tenho intensão de fazer nenhuma mudança drástica na minha vida, mas acho que se cuidar é fundamental. Que bom que existem milhões de possibilidades de você se manter bem, de cuidar da sua pele, de diminuir os pés de galinha, de botar os peitos no lugar e de emagrecer. Eu não vejo nada de ruim nisso, ao contrário, eu apoio, acho que autoestima é importante. Só fico um pouco assustada quando vejo essas mudanças dramáticas no rosto das pessoas. Eu não gosto de peitos, bundas e bocas. Eu brinco com meus filhos dizendo que 'no dia que a mamãe colocar uma ‘bocona’, manda matar! Porque a mamãe pirou' (risos). Eu prefiro ter aquele ‘código de barras’ do que uma ‘bocona’ estranha que não pertence a mim. Já apliquei meia dúzia de gotas de botox, já fiz plástica de pescoço, já botei meus peitos no lugar e gostaria de fazer milhões de outras coisinhas, mas sou muito medrosa. Envelhecer é complicado e chato. A juventude é a coisa mais linda do mundo. Se for criterioso, você pode arrumar sua vida para chegar aos setenta com aparência de sessenta e envelhecer bem, com naturalidade.

RD1- Muitas atrizes reclamam do HD, como lida com este recurso tecnológico?

Lucinha Lins - Com o recurso do HD nós brincamos dizendo que não é um close, mas sim uma autópsia (risos). Eu acho bárbaro, acho incrível quando podemos ver até os pelinhos no rosto do ator. A tecnologia traz cada vez mais qualidade para a imagem.

RD1- Falando em tecnologia, é adepta de smartphones, tablets? Como é sua ligação com a internet e redes sociais? Também está no "zap-zap"?

Lucinha Lins - Sou péssima em internet, não tenho a menor paciência para ficar o dia inteiro na frente de um computador, prefiro sair andando na praia. Facebook? Não tenho a menor paciência. Não sou esta pessoa e jamais serei. Eu gosto de gente, do contato direto com o ser humano. Mas reconheço os benefícios da internet, que é uma excelente ferramenta de pesquisa, mas nada com exagero.

RD1- Alzheimer é mais um dos conflitos de Zuzu, de "Vitória", que lida com a perda da memória. Tem medo de ser atingida por essa doença, sendo que a memória é essencial para uma atriz?

Lucinha Lins - Esta é uma das piores doenças que pode existir na vida de um ser humano. O cérebro da pessoa vai falecendo, mas ela está viva. Quem tem o Alzheimer vai desligando de tal maneira que não percebe o sofrimento que é. Quem sofre de fato é quem está próximo a ela, quem está em volta, porque tem consciência de tudo o que está acontecendo. A perda de sentimento, de controle motores e emocionais é terrível, se aparecesse neste momento um gênio da lâmpada e me concedesse três pedidos, um deles seria que não houvesse mais o Alzheimer no planeta. Qualquer pessoa pode ter Alzheimer, não é considerada uma doença hereditária, eu não sei o nome do horror que eu tenho em mim por esta doença. Estudei bastante, assisti a todos os filmes que foram representados com o Alzheimer. Representar uma pessoa com esta doença é muito difícil, mas agradeço o desafio, pois é um presente para qualquer atriz poder representar um papel como este.

RD1- "Vitória" teve um início difícil, mas conseguiu reverter essa situação e figura entre as principais audiências da Record durante a semana. Audiência é algo que te preocupa de alguma forma? Acompanha os números?

Lucinha Lins - Eu fico triste quando sei que faço parte de um trabalho que eu sei que é bom e que as pessoas não estão vendo como ele merece, isso não posso negar. Mas tudo tem seu tempo e temos que fazer nosso trabalho independente de audiência.

RD1- Como é seu dia a dia fora da televisão? É do tipo avó "Dona Benta"? Ou foge da cozinha?

Lucinha Lins - Eu sou cozinheira, quase não tenho unhas. Cozinho quase todos os dias da minha vida. Atualmente, tenho viajado muito com meu espetáculo ‘Palavra de Mulher’ por este Brasil e, devido a isso, não tenho cozinhado tanto. Cozinha faz parte da minha vida, adoro cozinhar, é a minha terapia e minha comida é gostosa (risos). Sou de família grande e acho muito importante estar junto dos familiares em volta de uma mesa. Eu sou uma vó bacaninha, que tem cadeirinha no carro, que pega na escola, que faz acampamento na sala. Eu sou a vovó Lulu (risos). Eles reclamam quando fico sem vê-los muito tempo. É uma dádiva ser avó. É um sentimento que eu não sabia que podia ter no meu coração. A emoção de ser mãe não tem nada a ver com a emoção de ser avó, são atitudes diferentes, são paciências diferentes. Eu tenho minha experiência de mãe que me ajuda a olhar os meus netos com um olhar diferenciado. Eu pensei que eu já soubesse amar demais, mas os meus netos me ensinaram a amar muito mais.

RD1- Em "Conselho Tutelar", Vera, sua personagem, maltratava a filha adotiva. Como é, mesmo atuando, lidar com uma carga tão negativa, sabendo que casos assim são extremamente comuns?

Lucinha Lins - Didaticamente este trabalho é muito importante. A gente ouve falar, mas é difícil alguém saber muito sobre este serviço importantíssimo. Representar alguém com uma carga tão negativa, uma pessoa que bate em criança, que é cruel e doente, foi muito difícil, não foi nem um pouco fácil para mim. Mas o empenho, a direção do Rudi, os atores escolhidos, foi tudo maravilhoso. Os episódios mostraram coisas sérias e graves.

RD1- Vera é médica, ou seja, instruída. Fala-se tanto que o Brasil precisa de educação e nem sempre isso evita que a pessoa seja mau caráter. O que acredita que realmente precisamos para sermos seres humanos melhores?

Lucinha Lins - O caso desta personagem não tem nada a ver com educação, ela tem uma psicopatia. Ela é educada, ela é uma médica, mas independente da profissão ou posição social, pode se tratar de um psicopata, um assassino. Então, aquela médica querida e que todos acham o máximo, é louca. Uma doente mental que ninguém imagina. A aparência dela e a educação disfarçam muito. Educação é fundamental, o que mais falta neste país é educação. Para que o Brasil possa ser chamado de nação é preciso educar. Nosso país é muito pobre de educação e é por isso que tantas coisas ruins acontecem.

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