A Televisão e as compras no Supermercado


É impressionante como a televisão consegue envolver com maestria os telespectadores e fazer com que eles não percebam todo o business que a movimenta!

Na realidade, a televisão é um grande supermercado e as emissoras são os seus fornecedores. Novelas, jornais, programas de auditório, reality-shows ou humorísticos, não importa o produto, cada um possui a sua peculiaridade, o seu diferencial, os seus apelos promocionais e as suas estratégias de venda para falar com o tipo de consumidor que deseja. 

Na prática, ainda que guardada as devidas proporções, a alusão pode ser feita mais ou menos assim: prefiro comprar o sabão em pó da marca X do que da Y, porque ele deixa minhas roupas com a maciez que eu adoro; prefiro assistir ao programa matinal Z do que o programa W, porque nele tem a apresentadora que possui um grande carisma que me agrada. Ou seja, tanto o sabão em pó quanto o programa de TV, são produtos concretos, que possuem diferencias e ingredientes que nos fazem preferir uns aos outros. 

Mas o mais intrigante é quando o artista torna-se um produto. Quando ele aceita deixar de ser a pessoa que se é para se juntar a uma série de produtos deste mesmo supermercado. Podemos usar como exemplo um ator que só faz papel de galã, mas que na vida real é gay. Como produto, ele precisa vender uma imagem de hétero todos os dias. Caso contrário, ele poderá interferir no seu faturamento e nos dos seus fornecedores que, neste caso, são os seus empresários e a emissora na qual trabalha.  E aí, para manter a maneira que ele foi posicionado no mercado – ou seja: galã, pegador, objeto de desejo das mulheres e referência masculina – utilizam-se de diversas estratégias, como: arranjar namoradas de fachada, flagras dele com morenas misteriosas e entrevistas com declarações do tipo “pra mim não tem diferença entre loira e morena, precisa ser mulher e cheirosa”.

Um outro exemplo a ser usado, pode ser um casal de celebridades que vende o conceito de “família feliz” e fazem várias propagandas juntos. Se de repente rola uma traição entre eles, eles vão continuar como marido e mulher em frente às câmeras, porque eles formam um único produto: o do “casaljuntosparasempre”. E ainda, para driblar os boatos, utilizam da estratégia do “selfie na praia deserta com muitos hashtags no instagram” - #amorpravidainteira, #nadanosabala, #amominhafamilia, #vamosviver ... E pronto: tudo sob controle. 

E o que falar então dos cantores que tentam um espaço na mídia? Por trás deles, há os produtores que dão aquela repaginada: mudam estilo, cabelo, ensinam a se portar em frente às câmeras, o que falar e o que não falar...enfim, tudo isso para que o produto/artista brilhe. É como se fosse alguém dando um direcionamento para uma embalagem.

Para finalizar, mais um exemplo clássico de artista/produto: Valesca (antes popuzada!). Em Marketing, o que fizeram com ela, chama-se reposicionamento. Ou seja, reposicionaram esta cantora no mercado. De Funkeira à Diva. Dos shows no morro às aberturas em eventos para High Society. Foi tipo o que fizeram com as sandálias Havaianas. Antes chinelo de pobre, hoje usado por gringos.

E aí, alguém já fez a compra do mês?

* Vinicius Cortez
Publicitário e Radialista

Compartilhe no Google Plus
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários :

Postar um comentário

.