"As TVs têm muito medo de ousar", avalia a jornalista Maria Cândida


Maria Cândida é uma das profissionais mais versáteis da televisão e uma das primeiras a deixar o jornalismo para focar no entretenimento, mudança que tem sido comum na atualidade e que já atingiu até Fátima Bernardes, hoje bem-sucedida com o "Encontro".

Com passagens pelos principais canais da TV, ela já entrevistou astros internacionais, liderou um vespertino na Record e até esteve confinada para o "Aprendiz — Celebridades", reality do qual ela garante não ter boas lembranças por não ser o formato de negócios que esperava. "Não participaria de novo", garante em entrevista exclusiva ao RD1.

No bate-papo, a jornalista também fala sobre novos projetos, o trabalho como apresentadora do "Tudo Posso", da Rede Família, de como é a Maria Cândida fora do vídeo e declara não se importar com o fato do "Programa da Tarde" ter sido relançado com outros apresentadores: "São meus amigos, tudo é muito tranquilo!".

Confira a íntegra da entrevista:

RD1 - O que sente quando vê o "Programa da Tarde" com outros apresentadores? Tem saudade deste trabalho?

Maria Cândida - O programa tem outro formato, totalmente diferente de quando apresentei. Não tenho nenhum problema em assistir, inclusive já participei como convidada. Os apresentadores são meus amigos, tudo é muito tranquilo. Quando o "Programa da Tarde" terminou, era um desejo meu, inclusive, porque queria muito fazer o “12 Mulheres”. Portanto, não existe nenhum mal entendido, saudade, aborrecimento com relação ao "Programa da Tarde". Eu gostei muito de fazer, mas foi só uma fase. Em TV, nós sabemos que não somos donos dos programas e sim apresentadores.

RD1 - Você liderou uma atração sobre mulheres, que gerou um livro. Como é a Maria Cândida longe das câmeras? Gosta de cozinhar, cuidar da casa?

Maria Cândida - O programa “12 Mulheres”, na minha avaliação, foi um dos meus melhores trabalhos. Fiquei muito satisfeita em viajar 12 países e entrevistar 144 mulheres ao redor do mundo. Mulheres que me ensinaram muito. Foram 4 meses de viagem que me tornaram uma profissional mais madura e, acredito, uma pessoa melhor. Longe das câmeras sou muito simples, gosto de passear com a minha filha, ir ao cinema, teatro, livrarias, clube, parque, almoçar e jantar fora e viver com alegria. Sou muito bem humorada. Detesto pessimismo.

RD1 - O "Tudo Posso" é um programa que tem culinária. Há algum tempo, um colunista afirmou que você tem uma preocupação excessiva com sua alimentação. É verdade?

Maria Cândida - Nunca vi essa citação. Perdi essa… (risos). Fui capa de várias revistas de boa forma, é verdade… Houve uma época em que malhava muito, mas nunca me achei neurótica, não! (risos) Nos últimos anos, parei um pouco e engordei. Agora, estou correndo atrás do prejuízo. Voltei para minhas aulas de dança que adoro. Sobre o quadro de culinária, é uma tentação. Muito difícil, mesmo! Tenho que comer só um pouquinho para não engordar. Quando é doce, provo só um pouquinho para sentir só o gosto. E, às vezes, quando não dá para resistir, como o doce todo. Mas só quando não aguento… Tento me controlar! Tem cada coisa gostosa! Agora, na Páscoa, então, é de matar qualquer um!!!

RD1 - Como você se cuida no dia a dia? É adepta de exercícios, tratamentos estéticos? O que pensa sobre plásticas?

Maria Cândida - Olha, como te falei, voltei a dançar. Amo dança! Preciso até fazer musculação, mas tenho tanta preguiça… Acho que a mulher tem que se cuidar. A gente chega aos 30, 40 e não tem jeito. Só as magrelas, que podem se dar ao luxo de não fazer nada. Mas acho que se fosse magrela, mesmo assim, faria alguma coisa, porque é bom para a cabeça, é tão bom… Tratamentos estéticos acho que são bons também, mas vou ser bem sincera: eu deveria ser mais disciplinada. Como nunca dependi muito do corpo na minha profissão e mais da cabeça, do intelecto, não sou aquela mulher louca por tratamentos. Deveria! (risos). Hoje, estaria sem metade das minhas celulites! E, quanto às plásticas, sou contra tudo que é radical.

RD1 - Como no "Programa da Tarde", você tem um parceiro na atração. É mais difícil ou a apresentação conjunta facilita o trabalho?

Maria Cândida - Hoje, apresento com o jornalista Rafael Faria, que é muito bacana e competente. Já apresentei o "Programa da Tarde" com o Olivier Anquier e foi legal também. Eu não tenho problema em dividir programa, mas gosto de trabalhar com gente boa ao meu lado e, ainda bem, sempre tive sorte.

RD1 - No "Tudo Posso", existe uma variedade de pautas, formato de revista eletrônica que tem sido bastante explorado em todos os canais. Diversos profissionais têm deixado o hard news para liderar atrações como essa. A bancada de telejornal está ultrapassada na sua visão?

Maria Cândida - Não acho que está ultrapassada. São formatos totalmente diferentes. Hard news é uma coisa. É notícia pura, é jornalismo. Programa de variedades tem outra proposta. A mistura dos dois é um formato antigo, que vem dos Estados Unidos, baseado em programas consolidados como o "Good Morning America" e o "Today Show", que é de 1952. Nós adaptamos esse formato, que os americanos fazem muito bem e tem dado certo.

RD1 - O que pensa sobre jornalistas que fazem "shownalismo" e promovem verdadeiros circos para dar uma notícia?

Maria Cândida - Particularmente, não gosto. Não faz parte do jornalismo que aprendi e não gosto da exploração do ser humano.

RD1 - Não sente falta do hard news?

Maria Cândida - Nem um pouco. Acho que fui uma das primeiras a sair do hard news. Já quando deixei a Globo, em 1998, fui para o "SBT Repórter" fazer variedades. Portanto, estou nessa de entretenimento há muitos anos. Sempre soube que o jornalismo seguiria essa linha porque assistia muito programa americano, como te disse. Era fã de carteirinha do "Today Show". Lembro que, no SBT, apresentei uma ideia de fazer um programa igual ao "Today", mas ninguém ligou. Naquela época, pedi para gravarem nos Estados Unidos o programa e mostrei. Não tinha internet, nada… A informação não chegava com tanta facilidade. Eu conhecia bem, porque em 1997 fiz um estágio na CNN, em Atlanta, e passei a estudar muito a TV americana.

RD1 - Está animada com os investimentos que a Rede Família têm feito? Como avalia a experiência no canal?

Maria Cândida - Fico muito feliz de trabalhar com pessoas que gostam do meu trabalho. A Rede Família é uma emissora muito fácil de trabalhar e que me trata muito bem. Espero que cresça bastante!

RD1 - Você já passou por diversos grandes canais trabalhando com jornalismo e entretenimento. Existe um formato dos sonhos que ainda não teve a oportunidade de colocar em prática?

Maria Cândida - Acho que neste momento existem muitas pessoas pensando em qual formato novo faria sucesso na TV, na internet, na rádio etc… Nos últimos 10 anos, quando a gente pensa que está criando, já criaram (risos) O problema é que as TVs têm muito medo de ousar, de colocar algo novo, que não foi testado. Tenho uma certa inveja do pessoal que trabalhava quando não havia medição de audiência tem tempo real, livre. As pessoas colocavam as matérias porque eram realmente boas e a avaliação não era feita só com base nos números. Hoje em dia, muita gente avalia um programa ou uma reportagem com base na audiência. Não concordo com isso. Essa indústria do descartável é muito triste. Voltando ao formato, tenho alguns sim. Mas, como muitos de meus colegas, não tive oportunidade de colocar em prática.

RD1 - Há quase um ano, você participou do "Aprendiz — Celebridades". O que essa experiência acrescentou em sua vida?

Maria Cândida - Já faz quase um ano, né? Na época, pensei que seria um programa de negócios. Mas, como todos viram, não foi isso que aconteceu. Eu não participaria de novo, porque realmente não tem meu perfil. Mas como poderia saber? Tanto que logo nas primeiras semanas, comecei a me sentir mal e logo fui demitida. O Roberto Justus é um profissional fantástico e todo mundo aprende com ele. Sem dúvida nenhuma. Mas, reality show, nunca mais!

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