"É melhor uma carreira solidificada a uma explosão rápida", sintetiza Marco Nanini


O programa "Grandes Atores" deste sábado, dia 4 de julho, às 18h30, homenageia Marco Nanini, ator consagrado no teatro, na televisão e no cinema. Em depoimento ao VIVA, o convidado, com 67 anos de vida sendo 50 deles dedicados à arte, é categórico ao falar sobre a trajetória profissional: "Na verdade, comecei a fazer mais sucesso depois dos 40. Até então, não creio que eu tivesse importância. Talvez, dentro do métier e, também, porque sempre fiquei trabalhando. Sempre esperei muito, com paciência, porque é melhor uma carreira solidificada a uma explosão rápida.".

Os primeiros sinais do futuro artístico começaram ainda na infância de Nanini. Filho de gerente de hotel, o pernambucano cresceu no meio turístico e compara a rotina dos estabelecimentos à estrutura de encenação. "Essas viagens eram interessantes porque de alguma maneira já era um mundo meio teatral, fictício. Os hóspedes eram os personagens, a cenografia era o próprio hotel. Foi um primeiro encontro com essa fantasia, com a ficção, vamos dizer assim. Desde cedo fui percebendo as emoções das pessoas", explica. Mais tarde, teve sua primeira experiência com teatro num grupo amador da igreja que frequentava. Lá, conheceu Pedro Paulo Rangel e decidiram prestar vestibular para o Conservatório Nacional de Teatro. Na faculdade, veio a descoberta da comédia. "Entrei para fazer tragédia. Eu era muito ingênuo, porque é muito difícil. Fiquei revoltado quando me colocaram para fazer comédia em uma prova. Via os colegas rindo e achava que era pessoal. Depois, percebi que estavam gostando. Não sabia que tinha essa veia, me apaixonei", comenta.

O próximo passo de Nanini foi dedicar-se exclusivamente ao universo artístico. "Eu imaginava que, quando você entrava para uma peça, já adulto, estava dentro de uma espécie de confraria, e que não teria mais problema de emprego nem nada disso. Bom, foi cruel o destino. Saí do banco e fui viver de teatro. Passei uma época difícil.".

Em 1969, a figuração como espadachim na novela "A Ponte dos Suspiros" chamou a atenção do ator Dary Reis, que o convidou para integrar a companhia de teatro de Dercy Gonçalves. "Foi um pós-graduatório. Realmente, ela era única! Botava o público na mão, fazia loucuras. Ainda colocava os censores para correr", conta, rindo. No ano seguinte, Nanini é convidado para a peça "A Vida Escrachada de Joana Martini e Baby Stompanato". É o início de uma longa parceria de vida e de trabalho com Marília Pêra, marcada pelo sucesso de "O Mistério de Irmã Vap", em que Nanini dividia palco com Ney Latorraca. "Foi um fenômeno, e ficamos onze anos em cartaz.".

O primeiro papel de destaque na televisão veio em 1971, na novela "O Cafona". Ao todo, participou de mais de onze na emissora, entre elas "Carinhoso" (1973), "A Moreninha" (1975), "Gabriela" (1975), "Pecado Capital" (1975), "Elas por Elas" (1982), "Brega & Chique" (1987) e "Pedra sobre Pedra" (1992), atualmente no ar no VIVA. Mas é o humorístico "TV Pirata" (1988) que Nanini considera determinante para a mudança de sua imagem na TV: "Foi uma inovação na época, e me abriu portas para outro tipo de interpretação na TV. Fiquei muito tempo sendo o rapaz bonzinho, simpático. Tive a sorte de conhecer Guel Arraes já nessa época.".

Durante a entrevista, o convidado também conta sobre a iniciativa de começar a produzir e dos projetos com o sócio Fernando Libonati. "Chegou uma fase em que percebi que não podia mais ficar dependendo dos convites. Ou eles não vinham ou quando vinham você não podia escolher. Então, arranjei um jeito de começar a produzir para ter mais liberdade de ação, mas faltava uma pessoa experiente de produção, que gostasse e tal. O encontro com o Fernando possibilitou que eu construísse uma carreira mais sólida como produtor", explica. Na Gamboa, bairro carioca, a dupla mantém um espaço com sala de ensaio, além de aulas que são oferecidas para crianças e idosos. O envolvimento de Nanini e Libonati com a arte se expande a outros projetos culturais.

Lineu é um capítulo à parte na carreira do veterano. De 2001 a 2014, Nanini deu vida ao patriarca do remake de "A Grande Família", que virou filme em 2007. "Íamos fazer seis episódios. Dos seis, fizemos doze. De doze foi para dezenove. E lá se vão 14 anos e 489 capítulos. Mesmo agora com o fim, ouço muita queixa de espectadores que acham um absurdo. Me param e perguntam 'O que vou fazer na quinta?'".

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