Especial Sete Vidas: Cinco momentos memoráveis

Já peço desculpas. Sei que vai faltar alguma cena, algum momento, mas fiz o possível pra colocar os principais ou pelo menos os que tocaram no coração de quem assistia. Aqui estão eles:

5-) Julia e Pedro passeiam 

Uma cena delicada, bonita, bem dirigida e interpretada. Acompanhada pela música “Like a Rose”, interpretada por Maria Gadú, era mais uma que tocavam pela simplicidade e a capacidade de transparecer o sentimento de felicidade que fazia parte do momento do casal. Foi lindo, poético e gostoso de assistir. Aproveito e relembro a cena que acompanhava a gravidez de Lígia (Débora Bloch) ao som de “Epitáfio” dos Titãs. Também linda e deliciosa.



4-) Laila e o “sincericídio”

É impossível escolher uma cena só em que Laila (Maria Eduarda de Carvalho) entrava em ação e disparava a dizer tudo que lhe via a cabeça. Lógico que sempre era pra alertar e de seu jeito torto, mostrar que muito dos personagens estavam sendo omissos com aquilo que sentiam e tentavam a todo custo enganar a si mesmo e aos outros. Os outros, menos Laila que estava sempre em alerta. Trabalho impecável de Maria Eduarda de Carvalho e que vai fazer falta.


3-) Lígia ouve que Miguel piorou depois do transplante

Depois de receber uma carta (aliás, espero que o público saiba o que tem nela até sexta!) de Miguel (Domingos Montagner) onde ele se declarava antes de realizar a cirurgia que iria transplantar um pedaço de seu fígado para Felipe (Michel Noher), Lígia vai ao hospital e ouve que o quadro de Miguel era grave. Foi pouco menos de um minuto. Foi filmado somente o olhar que Débora conseguiu imprimir à personagem. Foi intenso, verdadeiro e forte. Todas as características que fizeram de Lígia tão querida e amada pelo público. Em nenhum momento pareceu boba ou irreal apesar da relação complicada que teve durante toda a novela com Miguel. Mérito da interpretação e do excelente texto.


2-) I-R-E-N-E

Alguém dê um prêmio pra Malu Galli. PRA ONTEM. O que foi Irene em Sete Vidas? A personagem passou por tantas etapas na trama e foi tão incrivelmente interpretada que chega a ser maldade separar um momento só. Mas vamos lá: as cenas envolvendo a descoberta que teria que devolver a filha para mãe biológica. Impossível não se emocionar e não se sensibilizar. Incrível!


1-) Uma das cenas mais lindas da história da TV

“Pedro, Felipe, Bernardo, Laila, Luís e Joaquim...
Será que é possível mandar um convite com 20 anos de atraso? 
Será que um convite sem pé nem cabeça - pode ser sincero e de coração? 
Será que seis adultos, girando num carrossel, podem recuperar a memória do que nunca foi vivido?
O sorvete, a pipoca - será que o que a gente comer vai ter gosto de velho? 
Oito da noite na porta do parque - será que ainda dá tempo? Ou será que a briga de ontem é maior que tudo que a gente pode e tem pra viver amanhã?”


E essa carta escrita por Julia (Isabelle Drummond) deu sequência a uma das cenas mais bonitas de toda a dramaturgia do nosso país. Não, não é exagero. O violino tocando ao fundo, o brilho nos olhos dos irmãos, a pipoca, o algodão doce, o carrossel, o carrinho bate-bate, a chegada de Pedro, o perdão, o esquecimento de toda e qualquer mágoa e rancor. Eram apenas eles se divertindo e fazendo o que não conseguiram no passado. Não Julia, não teve gosto de velho. Foi atemporal, como qualquer sentimento verdadeiro que qualquer humano possa carregar e vai ficar pra sempre na lembrança dos telespectadores.

Menção honrosa: Luís contando aos filhos que é filho de duas mães (e Esther dando continuidade na conversa no café da manhã da maneira mais honesta e simples possível). Foi verdadeiro e feito sem didatismo ou qualquer preocupação, o que nem era preciso.


“Eu tive duas mães. Para mim foi legal, porque eu tive essas mães. Tudo o que uma criança precisa, meu filho – amor, carinho, dedicação – tudo isto eu tinha de sobra. A Esther e a Vivian eram casadas, tipo namoradas, duas mulheres que se amavam muito. A minha família era tão legal que eu nunca podia imaginar que família pudesse ser de outro jeito.”

Amanhã é dia da despedida. Dia de agradecer.

* por Guilherme Rodrigues

Compartilhe no Google Plus
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários :

Postar um comentário

.