Especial Sete Vidas: Esther



“O amor. Experiência de se sentir encontrado, reconhecido, à vontade com outra pessoa. Uma sensação de pertencimento, de casa, de não ter que se adaptar, de não ter que fingir nada, nem por um momento. Uma sensação de quem não tem teto, de que tudo pode.”

Existem personagens que ao olharmos, não conseguimos imaginar outro artista interpretando, dando alma àquela pessoa, devido à tamanha competência e completitude que é ali alcançada pelo ator. Esther (Regina Duarte) foi assim desde o começo e é mais uma das personagens que teremos muita saudade.

Regina declarou-se fã de Lícia Manzo quando A Vida da Gente estava no ar. Elogiou a autora, atores, direção e, ao saber que vinha uma nova novela de Lícia, pediu sem medo ou receio a possibilidade de participar. Alguém na face da Terra seria capaz de dizer não para Regina Duarte? E que bom que isso não aconteceu aqui.

Esther é a mãe de Laila (Maria Eduarda de Carvalho) e Luís (Thiago Rodrigues), gêmeos que surgiram da doação de Miguel (Domingos Montagner). No passado, a professora vivia um relacionamento com Vivian, até que decidiram realizar o sonho de se tornarem mães. Se nos dias de hoje o tema ainda é pouco compreendido e tratado com cuidado, imaginem 34 anos atrás? Mesmo assim, a personagem não se intimida e nem foge do assunto, trata com a naturalidade que deve ser e sempre se recorda com muito afeto da relação que teve.

A frase de abertura do texto foi retirada de mais uma das cenas encantadoras que envolvia a personagem: conversando com Eriberto (Fábio Herford), Esther contava como foi a sensação que teve ao encontrar Vivian e sentir que sem qualquer desprendimento, estava ali a sua parceira de vida. Em mais uma de suas ações (ela mesma reconhece o intrometimento uma das características que sua filha Laila herdou dela), mostrava que talvez Renan (Fernando Eiras) seria a pessoa de Eriberto. Aquela que estaria ali por ele e para a vida dos dois.

O cuidado com os netos, as conversas com o filho para que enxergasse que estava infeliz em seu casamento, a ajuda com a emprega para que o filho conseguisse um ensino adequado, o apoio a ONG para que não fechasse e reatando o relacionamento de mãe e filho que foram distanciados por problemas do passado. Essas e outras ações foram fazendo com que o público criasse carinho pela personagem e quisesse ver sempre mais. É mais um incrível trabalho de Regina Duarte que deixa saudade e o recado aos autores: ela ainda está aí e continua carismática e competente. Que não demore a vir os próximos trabalhos!

Amanhã vamos relembrar cenas memoráveis e que fizeram carinho no coração. Encerro o texto com umas das falas mais bonitas de Esther.

“Uma coisa é a vida que a gente enfia na cabeça que tem que viver. Outra coisa é a vida que está aí, pedindo pra ser vivida pela gente.”

* por Guilherme Rodrigues

Compartilhe no Google Plus
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários :

Postar um comentário

.