Especial Sete Vidas: A novela sem vilões?


A maior qualidade no texto das duas novelas apresentadas por Lícia Manzo no horário das 18h (A Vida da Gente e atualmente Sete Vidas) é sem dúvida a capacidade extrema em ser verossímil sem se tornar monótona. A coisa mais fácil é encontrar características nos personagens que reconhecemos nas pessoas com quem convivemos. E entre elas, essas não definições se são seres 100% do bem ou do mau.

As circunstâncias os definem e por isso sentimos dificuldades em saber como classificá-los. Mas é verdade também que entre esses “seres do cotidiano”, enxergamos em alguns o potencial para atitudes que entram em conflito com o que seria em prol da boa convivência e que somadas ao coletivo acabam prejudicando os que estão ao seu entorno ou até ultrapassando essa barreira. Branca (Maria Manoella), Marta (Gisele Fróes) e Durval (Claudio Jaborandy) são esses personagens que acabam agindo dessa maneira, mas sem se tornarem maniqueístas.

Branca é aquela típica mulher branca de classe média alta que carrega dentro de si preconceitos e a arrogância de quem é superior pelo fato de que simplesmente é. O problema é que nessa classificação, algumas qualidades não precisam estar presentes pelo fato de já ser superior, como honestidade, caráter e empatia. Intolerante e omissa aos valores que deveria passar para os filhos, era perceptível que para ela o ter deveria vir sempre antes do ser e nessa equação os prejudicados acabavam sendo desde sua empregada, sogra, filhos, até uma simples pessoa da rua com quem ela sofreu um acidente de carro e passou o número errado dizendo que iria ressarcir a vítima.

As últimas artimanhas da personagem eram fazer o que é conhecido nos dias de hoje como alienação parental. No caso, jogando os filhos contra a atual namorada do pai recém separado.

Maria Manoella, atriz competente que desempenhou o papel tão bem, disse em entrevista que gostaria de ver a personagem procurando terapia e tentando melhorar como pessoa. A autora já afirmou que os finais serão coerentes com tudo aquilo que foi mostrado pela trama. Só nos resta aguardar e torcer para que pelo menos Branca passe a fazer menos vítimas.

No texto de amanhã, iremos analisar Marta, Durval e Augusto (Celso Frateschi), pai do protagonista que mesmo sempre sendo exibido como personagem do passado, acaba refletindo totalmente na vida de Miguel (Jesuíta Barbosa/Domingos Montagner).

* por Guilherme Rodrigues

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