"Ser ator é, antes de mais nada, respeitar a quem o assiste", diz Tony Ramos


Tony Ramos é um dos artistas mais respeitados da televisão brasileira. No "Grandes Atores" deste sábado, dia 25 de julho, às 18h30, o VIVA exibe o depoimento emocionante do veterano, que fala sobre vida pessoal e lembra os momentos mais marcantes de sua carreira, que reúne personagens e parcerias memoráveis com atores, diretores e autores.

Em 2015, a televisão no Brasil completa 65 anos e Tony comemora 50 atuando em novelas. A primeira foi "A Outra", exibida em 1965 na TV Tupi. Desde então, ele acumula dezenas de papéis no currículo televisivo, considerando também seriados e minisséries. Ao programa, o paranaense conta curiosidades como o fascínio por Oscarito, a quem atribui a inspiração de ser ator. "Eu saía do cinema e ficava imitando ele toscamente, claro, como uma criança de oito anos. Eu queria ser um Oscarito na vida. Posso dizer isso e não volto atrás", comenta, reproduzindo, para as câmeras, gestos de seu ídolo.

Experiência, Tony tem de sobra, e passa isso adiante. Ao VIVA, comenta que muito jovem lhe pergunta como se faz para entrar na TV Globo. "Eu falo 'pela porta'. Sempre, sempre. Se pela parede, bate com a cabeça. Ai todos dão risada. Mas o que vai levar a pessoa a entrar é o trabalho, seu critério, sua dedicação. Não é assim, por acaso. As pessoas pensam que cai do céu, né?", diz. O convidado completa que fica orgulhoso quando vê atores mais novos em belas cenas. "Telefono para eles. Faço isso com todos os meus companheiros, ainda hoje. Lidiane [Barbosa] brinca que sou o mesmo de sempre. Falo que serei o mesmo até o fim dos meus dias.".

Passagens pessoais como sua ausência nas reuniões escolares dos filhos também entram na entrevista. "Mais uma vez papai não pode ir, mas saibam que estou a par de tudo. Mamãe já falou. Vocês sabem, minha vida é essa", se desculpava o ator. Casado há 45 anos com Lidiane, Tony derrete-se ao falar da esposa. "Um ator tem um compromisso com seus personagens. Você precisa ter uma pessoa de uma compreensão hercúlea ao seu lado. E ela tem isso de sobra. Ela é fundamental na minha vida. Não há um texto que ela não tenha lido antes de todo mundo. Sabe quando você se pega olhando para a parceira e constata que companheira você tem, o amor que tem por ela? E amor é algo que não se explica.".

Tony também revela como concilia seus personagens e sua rotina pessoal. "Não gosto de sofrer com personagem. Vou me cansar com ele porque exige de mim a tensão, decoreba. Mas a minha vida continua. A vida é para ser curtida como eu sou. Com um bom vinhozinho de vez em quando, um uisquezinho on the rocks, a minha comidinha. Meus amigos. Os netos, a família como um todo. As viagens quando possível", comenta.

O ator se diz em paz consigo. "Se têm coisas que não existem no meu vocabulário são inveja, soberba, querer aquilo não é meu. Jamais pisei em terreno que não fosse meu, e pegar aquilo que não era meu.". Tony ainda reflete: "Encontrei dentro da própria vida uma definição do que é viver e conviver. Viver é sobreviver, é trabalhar. É não olhar para a vida de terceiros. Não me interessa quem ama quem. Quem deixou quem. Quem passou a namorar quem. Não tenho dedo apontado para o que é certo e errado. Acho que as pessoas têm que viver suas vidas.".

Para encerrar o programa, admite: "Hoje, que faço essa chamada revisão da minha própria vida, tenho consciência de que sempre foi o que quis fazer. Me comunicar, né? Ser ator é ter disciplina, convicção daquilo que quer mesmo fazer. Ser ator é, antes de mais nada, respeitar a quem o assiste.".

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