"Estamos construindo muito entretenimento e pouca cultura", avalia padre Fábio de Melo



O padre Fábio de Melo foi o convidado do programa "Mariana Godoy Entrevista" desta sexta-feira (14). O padre falou sobre o início de sua vida religiosa, confessou que seu papel de "mau-humorado" no Twitter é só brincadeira e disse que se assustou com a última campanha eleitoral, classificando-a como um "retrato do tribalismo que nos habita".

O padre Fábio diz que nunca pensou em Deus como "alguém que pudesse resolver" os seus conflitos, mas alguém que o ajudasse a "conviver" com eles. "O que me interessa não é chegar a algum lugar, é ir", definiu. 

Fábio se classifica como uma pessoa "antiga" na hora de sentir as coisas. "Eu gosto da demora, sem pressa… Isso é totalmente contrário ao o que acontece hoje". O padre disse que gosta de ter seu próprio ritmo para estabelecer sua rotina. "Às vezes eu acho que estamos construindo muito entretenimento e pouca cultura. Para entreter as pessoas e não dar a elas algo a mais", analisou.

Questionado por Mariana se ele é mesmo no Twitter, o padre Fábio confirmou que ele mesmo, mas que não é "mau-humorado" como suas publicações sugerem. "Aquilo tudo é só teatro", contou. Ele confessou que ainda sente um "trauma" no domingo à noite, pelo início da semana, e diz que ainda sente "pavor" quando escuta o tema de abertura do antigo programa dos "Trapalhões".

O jornalista Ricardo Neves trouxe as perguntas do Twitter, e um dos telespectadores quis saber como Fábio lida com o assédio. "Eu não tenho problema com isso, me sinto muito querido (…) Isso para mim é a maior realização que eu posso ter na minha vida", disse. 

Padre Fábio elogiou muito o Papa Francisco, e disse que o ser humano tem a tendência de interpretar culturas e tradições diferentes como algo a ser combatido, mas que deveríamos aprender com as diferenças. Fábio disse que "faz questão" de ter amigos de religiões diferentes, pois isso o "enriquece" como pessoa. "Jesus tinha obrigação de estabelecer vínculos e diálogos com pessoas diferentes (…) O primeiro interesse de Jesus era fazer amizade com pessoas", lembrou.

Mariana trouxe a questão de abraçar as diferenças no momento atual que o país, com a crise política e do governo. Fábio disse que se assustou com a última campanha eleitoral, chamando-a de um "retrato do tribalismo que nos habita". "O momento político para mim, e eu olho isso com pessimismo, eu vejo uma nação sendo movida a desejos tribais", analisou. Para Fábio, o "bem comum" é deixado de lado para a votação de pautas que interessam apenas aos partidos. O padre disse que já deu conselhos para políticos, mas que não sabe se eles foram seguidos. "Eu tenho amigos políticos, e sempre que eu posso, eu faço a minha presença ser como estamos fazendo aqui, de reflexão".

O programa trouxe também uma reportagem especial com o sambista Nelson Sargento. Além de artista plástico, ator e escritor, Sargento fez fama como músicas como "Agoniza mas não morre", "Falso amor sincero" e "Prometo ser Fiel".

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