Velho Chico não é Hoje é dia de Maria! Só falta avisar Luiz Fernando Carvalho...



"Suspeitei desde o princípio!". Pego emprestada a memorável frase do Chapolin, pois, quando vi as primeiras fotos de Velho Chico, comecei a desanimar; quando vi as chamadas, o desânimo aumentou. Agora, é decepção mesmo. 

Imaginei que Luiz Fernando Carvalho e sua mania de que tudo é Hoje é dia de Maria atrapalharia a trama e é o que está acontecendo. A crítica adora Velho Chico. É um produto que os críticos, os defensores da qualidade, subjetiva qualidade, gostam muito. Não digo que eles estão errados. A novela é uma grande produção, mas, pra mim, isso não basta. Penso que novela antes de mais nada tem que emocionar, tem que se preocupar em contar uma história que aguce o público. Depois se pensa nos detalhes. Quando leio que se preocupam até em envelhecer a roupa que os personagens usam, logo penso que nem deveriam ser importar com isso já que tenho certeza de que a maioria do público não se importa.

Quando os detalhes são maiores que a própria novela, é porque algo está errado. Em Velho Chico, a direção é maior que a novela. A história fica em segundo plano. História, aliás, que não é lá essas coisas. Duas famílias rivais, um amor proibido, e muita, mas muita morte desnecessária. Não passa uma semana sem morrer alguém na novela. Quem reclamava da violência de A regra do jogo e aguardava um refresco se enganou porque Velho Chico é até mais violenta.


Por fim, as chamadas da terceira fase não são nada animadoras. Pelo visto, o figurino esquisito, os exageros de Luiz Fernando Carvalho irão continuar. Uma pena. Fui um dos defensores da ideia de termos de volta uma novela rural às nove, mas esperava uma trama visualmente bonita e simples como O rei do gado e Pantanal do mesmo autor, Mas o diretor pensa o contrário e resolveu apostar num estilo equivocado e cansativo para uma novela de qualquer horário, para uma das nove, então, nem se fala. 

E fico pasmo que ninguém na Globo corte as asinhas de Luiz Fernando Carvalho. A novela já começa a perder força e se a emissora não barrar as invencionices do diretor, já já o público se cansa e vai procurar outra alternativa. E o pior de tudo é que se isso acontecer é bem capaz que na emissora ainda façam uma leitura errada: achem que novela rural não dá certo às nove e com isso corre-se o risco de ficarmos sem elas de novo no principal horário de novelas da Globo. 

Ainda há tempo de se salvar Velho Chico porque o texto do Benedito ainda faz a novela valer a pena. Fico por aqui. Um abraço e até a próxima.

* por Gilmar Moraes

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13 comentários :

  1. Eu gosto de quase tudo na novela. Acho que o LFC está até "brando" se comparado com seus últimos trabalhos. De vez em quando ele dá uma escorregada...

    Achei os 23 capítulos iniciais melhor novela que A Regra do Jogo inteira. Não considero o 24 pois foi de uma picaretagem impressionante. Posso mudar de idéia, poia a novela de verdade começa hoje. Mas até agora estou gostando.

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  2. Ô pessoa, vamos fantasiar um pouco, vamos viajar nas caracterizações e na novela, pq de mundo cão já basta a outra emissora...

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    1. Concordo, mas só queria uma trama mais natural. Para fugir do mundo cão não precisa de tanto exagero. Vejo o exemplo de Eta Mundo Bom e Totalmente demais. São novelas mais leves, mas normais.

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  3. Qual sua formação, Gilmar? Porque dizer que não entende a preocupação com o figurino envelhecido e imaginar que todo o público não liga ou percebe isso é tirar todo mundo de 'medião'. Cabe a televisão como veículo de massa tentar passar o melhor para as pessoas, inclusive coisas que elas desconhecem. Se a TV conseguir fazer 1 telespectador que seja sair do mundinho simples e limitado que ele se encontra, isso já será muito. Pena que não consiga fazer isso com você.

    Além disso besteira comparar Velho Chico a Pantanal e Rei do Gado dizendo que essas novelas eram 'simples'. Você de fato assistiu essas novelas? Acho que não. Para a época eram super modernas e muito bem finalizadas como Velho Chico.

    Não estou dizendo que a novela é uma maravilha, mas tudo o que citou não é nenhum defeito.

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    1. Sou formado em Letras e leio sobre novelas há pelo menos 15 anos. Esse texto é uma visão particular. Cada um tem uma forma de visão e eu, quem lê o pouco que escrevo, sabe que prefiro tramas mais convencionais. O que eu escreve não é uma verdade absoluta e fico agradecido por você ter deixado sua visão da novela aqui. Assisti sim Pantanal e O rei do gado, novelas maravilhosas, e quando digo simples, digo naturais, o que não as impede de serem modernas.

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  4. Gilmar, Pantanal em 1990 não teve nada de convencional. Talvez por isso tenho chamado tanta atenção. Naquele contexto foi uma novela bastante inovadora e marcante que acabou virando modelo a ser seguido e isso deixou o estilo mais convencional com os anos. É tudo uma questão de perspectiva. Os olhos do público que viu a trama na Manchete em 1990 certamente não foram os mesmos da reprise do SBT alguns anos atrás.
    E sobre O Velho Chico: Como já disse acho que o LFC está até bem comedido em seu estilo. Logicamente que não ele não voltaria a ser o mesmo diretor da época de Renascer ou O Rei do Gado. Mas está longe daquele que faz coisas inassistíveis (pelo menos para mim) como A Pedra do Reino e Capitu.

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    1. Sim. Realmente é mais brando que nos produtos que você citou, mas ainda me causa estranhamento. Mas é coisa minha. Quanto a Pantanal você tem razão. Eu vi no SBT e por isso posso sim ter deixado de ver o quanto inovadora e fora dos padrões ela foi quando exibida pela primeira vez. Obrigado por seus comentários Ricardo.

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  5. Por isso o Gilmar é tão fã das mexicanas.. Ninguém liga pra qualidade de produção por lá.. KKKK Dirá envelhecer pano.

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    1. Verdade. Não ligam muito, mas houve uma evolução. Há grandes produções também.

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  6. Não assisto a novela todo dia por falta de tempo, mas gosto quando vejo. Realmente é algo bonito de se ver, me faz relaxar... E o Ricardo tem razão, como sempre, o Luiz Fernando Carvalho está até comedido.. Só fico imaginando a Fernanda Montenegro de Encarnação...

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  7. Creio, Gilmar, que sua crítica não se trata apenas de um posicionamento pessoal sobre a história, mas sim a genérica interpretação que Luiz Fernando Carvalho dá ao texto de Benedito, que sim, foge ao convencional. Kogut faz uma crítica parecida com a sua neste link: http://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/critica/noticia/2016/04/falta-sintonia-entre-dramaturgia-e-realizacao-de-velho-chico.html. E, de fato, também preferia que o diretor seguisse a convencionalidade que a história da família Barbosa poderia seguir, caso fosse dirigida por um Rogério Gomes, por exemplo. Essa fuga não só da estética, mas da caracterização, dos trejeitos de personagens, entre outros, torna a novela, não menos agradável do que, talvez, poderia ser se fosse produzida de forma tradicional, mas estranhamento por fugir completamente do crível e ludibriar-se pelo lúdico e pelo exagero.

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    1. Oi Tarcísio, obrigado pelo link, realmente é parecido com o que eu penso. Eu preferia um Rogério Gomes e ouso a dizer até um Jaime Monjardim na direção de Velho Chico. Muito bem colocado seu comentário.

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  8. Fazer crítica prevendo o que o público pensa não é crítica. É achismo. Não vou nem me dar ao trabalho de refutar todo o texto que é cheio de vontade do mesmo. Sempre que algo novo acontece, uma força do mesmismo se mostra. Só ver os dois Hoje é dia de Maria e Velho Chico, para perceber que são fruto de um interesse artístico que L F C vem desenvolvendo. Um artista não tira do nada seu fazer, sua estética. Tem coerência de interesses e escolhas. Faltou ler Gombrich. Nada em arte existe à priori, somene o artista. A crítica como todo resto vem depois e a partir da ação do artista. Se arte com A maiúsculo não existe(como diz o autor da História da Arte, H. Gombrich, o historiador de arte cosiderado essencial do séc.XX) como pedir um molde onde a produção artisística deva se encaixar? LFC é muito intenso em tudo que faz . E que a caravana passe.

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