"O sistema político do Brasil está falido", afirma Rodrigo Maia"O sistema político do Brasil está falido", afirma Rodrigo Maia

O programa "Mariana Godoy Entrevista" desta sexta-feira (22) recebeu o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) e a cantora, compositora e violeira Bruna Viola. A responsabilidade de abrir o programa ficou a cargo de Bruna, que o fez com a canção 'No Ponteio da Viola'.

O deputado Rodrigo Maia, novo presidente da Câmara, atribuiu a sua eleição para comandar a Casa a alguns fatores: "Confiança, lealdade, compromisso honrado, faz acordo e cumpre, acho que foi um pouco isso. Construí uma relação de confiança com os outros deputados". Ele concluiu: "Acabou gerando uma surpresa para todos, um deputado de um partido menor conseguiu construir uma candidatura e ganhar a eleição." Para Maia, "o papel do presidente é tentar construir consenso e num momento de crise como essa, mais ainda. O Brasil precisa muito da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e da harmonia dos poderes". Sobre sua relação com o líder interino do Executivo Federal, Maia foi enfático: "Minha relação com o presidente Temer é boa até demais e preciso até me policiar. Espero poder colaborar não só com o presidente Michel Temer, mas também com o Brasil".

Um tema polêmico foi abordado pelo presidente da Câmara, as alardeadas "reformas trabalhistas". Maia, então, fez algumas observações sobre os pontos que mais têm sido debatidos nos últimos tempos: a terceirização e a "sobreposição dos acordos coletivos às leis trabalhistas vigentes no país". Para ele "as relações de trabalho não se constituem apenas de relações diretas. A terceirização vai colaborar muito para o Brasil superar a crise que vive nesse momento". Maia, seguindo uma linha defendida pelo governo, fez uma afirmação que tem se tornado corrente entre os defensores do mandato de Temer: "O ideal seria aprovar uma lei em que o negociado prevalecesse sobre o legislado", ou seja, deixar que patrões e empregados decidissem, de comum acordo, algumas questões que hoje são amparadas por leis.

Rodrigo Maia acenou, também, para revisões nos programas de financiamento estudantil e observou: "Às vezes você avança demais num programa e a qualidade não vai junto." Ele se referiu às muitas universidades que recebem dinheiro do governo nos programas que visam garantir graduação aos brasileiros.

Filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, Rodrigo contou o que aprendeu com o pai: "humildade, respeito ao cidadão, respeito ao servidor público". Ao falar dos servidores públicos, Rodrigo Maia fez questão de frisar: "Apesar de sermos um partido mais à direita, mais liberais, entendemos que nas ações fundamentais o Estado é determinante".

Provocado a voltar às questões trabalhistas, Maia considerou que duas delas são fundamentais neste momento: "O projeto de lei da terceirização e o projeto do negociado em cima do legislado. A gente não precisa avançar além disso, porque vai gerar muito embate". Para ele, "muita gente, porque não tem a legislação clara, vive em muita dificuldade".

Rodrigo Maia sinalizou para medidas de proteção ao empresariado: "A legislação tem que vir também para ajudar o empresário, não só para defender os direitos dos trabalhadores". Entretanto, ele reconheceu que muitos empresários se "escoram" nas leis para prejudicar os funcionários: "Tem empresário que vai galopando, abre uma empresa, não dá certo, abre outra".

Rodrigo Maia manterá medida criada na gestão de Eduardo Cunha e não abonará as faltas dos deputados que não as justificarem. Antes, essa função de abonar cabia aos líderes dos partidos. Para ele, essa mudança ajudou a acelerar os trabalhos na Casa e a deixou mais produtiva. Ele enfatizou: "Vamos organizar uma agenda, nós temos um objetivo. O que não pode é o pessoal não querer trabalhar". Maia ainda garantiu: "A Câmara precisa continuar se aproximando do cidadão".

Sobre os gastos estratosféricos da Câmara, Rodrigo Maia se defendeu: "O ano passado a Câmara economizou mais de R$ 200 milhões". Ele ainda comentou a manutenção de benefícios a Eduardo Cunha, mesmo afastado, e fez questão de isentar a Casa dessa responsabilidade, até porque a decisão partiu de outro poder, o Judiciário: "Ele é deputado, tem as prerrogativas de deputado e a gente ficou na mesa sem saber o que fazer".

Maia não quis fixar uma data, após o recesso, para a sessão que pode cassar Eduardo Cunha: "Eu não vou me precipitar, porque o quórum nas primeiras semanas não é alto. Vamos tentar construir nas primeiras semanas uma data".

O presidente da Câmara garantiu que a CPI do Carf não foi encerrada: "A CPI do Carf continua existindo e tem um prazo para apresentar o relatório". Ele foi além: "Uma CPI é muito importante e não pode um parlamentar, mesmo que seja o presidente, definir sozinho". Ele finalizou: "Eu não decido mais nada sozinho em relação a CPI".

Maia foi direto ao ser questionado sobre um possível retorno de Dilma Rousseff à presidência da República de forma efetiva: "Eu não trabalho com essa hipótese". Entretanto, ele tentou agir com a prudência que sua nova atribuição exige: "Se isso acontecer, nós vamos continuar dialogando". Maia fez questão de frisar que defende ideias opostas às da presidente afastada e de seu partido, o PT, e criticou: "O PT trata a questão de equilíbrio fiscal com uma visão ideológica".

Rodrigo Maia defendeu a renegociação da dívida dos estados, mesmo em tempos de crise: "Está renegociando, não está anistiando. No governo do presidente Fernando Henrique os estados podiam emitir dívidas. O que aconteceu, num determinado momento, é que a dívida dos estados cresceu tanto que eles não tinham mais como pagar". Ele observou: "Num momento de crise, é importante que o governo alongue a dívida para que os estados não entrem em colapso".

Maia também opinou sobre as críticas que o governo tem recebido por conceder aumentos a algumas categorias de servidores: "A gente sempre tem que avaliar caso a caso".

Sobre a reforma da Previdência, Maia mostrou preocupação com o tema e demonstrou o interesse de que seja discutido em breve. Ele citou algumas mudanças feitas durante o governo do presidente Lula e afirmou que devem surtir efeito somente em alguns anos. Ele preferiu não se aprofundar na questão previdenciária que envolve servidores públicos e militares. Segundo dados de 2013, cerca de um milhão de militares e servidores respondem pelo mesmo déficit que 24 milhões de contribuintes "normais". Ainda assim, Maia defendeu mudanças: "A reforma da Previdência não é uma questão de querer prejudicar ninguém, ao contrário, o Brasil precisa organizar suas contas".

O político do DEM observou que muitas empresas não se instalam no Brasil devido ao alto grau de corrupção que existe no país, mas sinalizou que isso deve mudar: "O Brasil está dando um passo gigantesco nos últimos anos com as investigações que estão em curso". Ele ainda garantiu que deve colocar em votação, no final do ano, as "Dez Medidas Contra a Corrupção", mas adiantou que não sabe se todas serão aprovadas.

Maia sinalizou para a possibilidade da liberação dos jogos de azar no país e observou: "A volta do jogo deve garantir retorno ao Brasil".

Sobre a tão falada reforma política, Rodrigo Maia foi bastante enfático: "O sistema político do Brasil está falido". Ele continuou: "Esse sistema é caro e não representa o que a população precisa." Para ele, o processo eleitoral continua caro, mesmo diante de mudanças feitas recentemente. Sobre isso, ele observou: "Sou contra o financiamento público, votei a favor do financiamento privado". Maia ainda observou: "A gente precisa criar um processo mais barato e tem que ser para a próxima eleição. A despesa é alta, esse tipo de campanha é cara, nós precisamos pensar um modelo que seja mais barato".

Sobre qualquer possibilidade de ser candidato à presidência da República, ele desconversou: "Quero acabar bem meu mandato de presidente da Câmara". Maia, de forma indireta, mandou um recado ao PSDB e sugeriu "prévias" entre os partidos "coligados" para a escolha de um candidato à presidência em 2018, deixando claro que o candidato não precisaria ser, obrigatoriamente, um tucano.

Questionado se usará a residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia não pensou duas vezes: "Vou! A residência oficial é a extensão do gabinete do presidente da Câmara".

Depois de Rodrigo Maia, foi a vez de voltar ao palco do "Mariana Godoy Entrevista" a cantora, compositora e violeira Bruna Viola, dessa vez com a canção "Se você voltar".

A artista mostrou orgulho de sua raiz e de sua paixão pela música caipira: "Sou cuiabana, com muito orgulho. Música de raiz é minha paixão, musica sertaneja". Ela ainda citou a dupla Tião Carreiro e Pardinho como sua grande inspiração.

Questionada por Mariana onde deseja chegar, Bruna foi modesta: "Eu quero levar música boa ao público e continuar resgatando a música sertaneja". Bruna contou que os avós maternos trabalharam com música a vida inteira e, por isso, ele teria essa veia artística. De improviso, Bruna cantou um trecho de Cuitelinho, canção interpretada por vários artistas, mas imortalizada por Pena Branca e Xavantinho.

Bruna Viola fez uma observação muito pertinente: "A música caipira está invadindo as grandes festas, os grandes centros, as grandes mídias". Para encerrar o "Mariana Godoy Entrevista" ao vivo, na TV, ela tocou o sucesso "Viola Divina". A cantora, no entanto, seguiu com Mariana Godoy em uma apresentação exclusiva para o Facebook.

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