Morre no Rio de Janeiro o jornalista Geneton Moraes Neto


 
Ser repórter foi a razão de ser do jornalista Geneton Moraes Neto. Ele morreu no fim da tarde desta segunda-feira, dia 22 de agosto, no Rio de Janeiro. Tinha 60 anos e por mais de quatro décadas foi um servidor incondicional da notícia. Começou aos 13 anos, amador, mas inspirado no estilo bombástico de David Nasser. Estilo que o acompanhou a vida inteira, nas centenas de entrevistas que fez. Geneton dizia que pertencia ao PPB: Partido dos Perguntadores do Brasil. E perguntava, sempre preciso, sempre contundente.
 
Entre os entrevistados que enfrentaram a “metralhadora jornalística” de Geneton estão os generais Newton Cruz e Leônidas Pires Gonçalves, que ocuparam importantes postos de comando durante o regime militar,  (Entrevistas que renderam a Geneton o Prêmio Embratel de Telejornalismo de 2010);  o repórter Carl Bernstein, autor da série de reportagens sobre o escândalo Watergate que culminou com a renúncia do presidente Nixon;  Eva Schloss, ex-prisioneira de um campo de concentração nazista;  dois astronautas que pisaram na Lua, agentes do serviço secreto americano, na série especial sobre os 10 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Mais recentemente, ouviu o ex-governador Paulo Maluf, ex-senador Saturnino Braga; o ex-ministro Célio Borja e o ator Guilherme Fontes, na época do lançamento do filme 'Chatô, O Rei do Brasil'.
 
Geneton nasceu numa sexta-feira 13. Costumava brincar com isso: "Nasci numa sexta-feira 13, num beco sem saída, numa cidade pobre da América do Sul: Recife. Se fosse supersticioso – ou pelo menos previdente -, teria me recusado terminantemente a sair da maternidade, por ter nascido numa sexta-feira 13 do ano de 1956, num beco sem saída. Mas saí.”  Saiu e veio ao mundo fazer história no jornalismo brasileiro.
 
Na Globo desde o início dos anos 1980, o pernambucano trabalhou na Globo Nordeste como editor e repórter e na emissora no Rio de Janeiro. Entre idas e vindas, desde 1985, Geneton foi editor-executivo do ‘Jornal da Globo’ e do ‘Jornal Nacional’; correspondente da GloboNews em Londres; repórter e editor-chefe do ‘Fantástico’ duas vezes. Coordenou a criação do programa ‘Pequenas Empresas, Grandes Negócios’ e trabalhou ainda nos programas de variedades ‘Dóris para Maiores’ e ‘Muvuca’, este de Regina Casé. Desde 2006, produzia reportagens especiais para a GloboNews, especialmente para o programa ‘Dossiê GloboNews’ e desde 2012 também se dedicava a documentários, sempre exibidos pelo canal de notícias.
 
Em ‘Boa Noite, Solidão’, o quinto de sua carreira e o último exibido pela GloboNews, Geneton fez uma reflexão para entender o que pensam as pessoas que fazem uma opção contrária à dele: a de não sair da periferia rumo aos grandes centros. Trinta anos depois de sair de Pernambuco em busca de melhores oportunidades de emprego no “Sul maravilha”, Geneton foi à pequena cidade de Solidão, no sertão pernambucano, para saber o que pensam sobre os grandes centros urbanos pessoas que nunca saíram de Solidão.

Em 2012, Geneton dirigiu seu primeiro documentário de longa metragem produzido pela GloboNews. Com uma hora e vinte de duração, ‘Garrafas ao Mar: a Víbora Manda Lembranças’ reúne entrevistas que ele gravou nos 20 anos de convivência com o jornalista Joel Silveira, um dos maiores repórteres brasileiros. Foi exibido na GloboNews e eleito pelo jornal O Globo um dos melhores programas exibidos na TV brasileira em 2013. No mesmo ano, ele dirigiu o documentário ‘Dossiê 50: Comício a favor dos Náufragos’, também exibido pela GloboNews, com depoimentos dos onze jogadores brasileiros que enfrentaram a seleção do Uruguai na final da Copa de 1950, no Maracanã.
 
Geneton Moraes Neto foi vítima de um aneurisma dissecante na aorta, que sofreu no dia 5 de maio. Deixa esposa, três filhos e quatro netos.
 

Compartilhe no Google Plus
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários :

Postar um comentário

.