"Não vou deixar de apoiar a presidente Dilma", afirma Fernanda Takai



A vocalista do Pato Fu - que está lançando seu mais novo disco solo, com músicas de composição própria, intitulado "Na Medida do Impossível" - começou a sua participação com a canção "Como Dizia o Mestre", de Benito Di Paula. A cantora falou sobre o show desse novo trabalho que fará no Instituto Inhotim, famoso museu de Minas Gerais, e afirmou que será uma apresentação bastante intimista e a primeira gravação de DVD no local. Para quem se interessou, ela já deixou o serviço: "Acho que não tem mais ingressos".

Fernanda comentou a parceria com Pitty na canção "Seu Tipo": "A figura dela foi muito importante pra nossa música rock". Takai contou como foi o processo produtivo e elogiou a parceria, mesmo com algumas diferenças que existem entre ambas: "Somos muito diferentes, de universos musicais diferentes". Foi apenas uma introdução para a entrevista de outra ilustre convidada.

Em seguida, a diretora Anna Muylaert iniciou sua participação falando sobre seu grande sucesso, "Que Horas Ela Volta?", longa premiadíssimo internacionalmente e que tinha, como personagem principal a atriz Regina Casé: "Olha, eu tenho muito orgulho, eu fiquei 20 anos com esse projeto".

O trabalho mais recente da diretora, "Mãe Só Há Uma", foi um grande desafio em sua carreira: "Ele é bem mais ousado, ele é mais provocativo. É um filme que nasceu com essa vontade de pesquisar coisas novas", contou. "Ele é um filme de jovens, ele é um filme totalmente diferente de todos os meus outros filmes. Ele nasceu pra ser jovem e testar coisas fora de uma zona de conforto".

No processo produtivo ela, que é mãe de dois jovens, confessou que voltou para a noite e encontrou um ambiente muito diferente de sua época de juventude. Para ela, "as pessoas estão trabalhando o masculino e o feminino de uma forma muito mais livre".

Anna associou um dos personagens do filme às questões enfrentadas pela sociedade na atualidade, sobretudo no que se refere à transgeneridade: "Antes o travesti era aquele figura na esquina, ligada à prostituição, hoje a transgeneridade já está nas pessoas conhecidas, está acontecendo em outras classes sociais". Ela citou, como exemplo, a cartunista Laerte e reconheceu que meninos usam símbolos antes associados somente ao universo feminino, como as saias: "As coisas estão, como eles dizem, não binárias".

Anna contou que se inspirou, livremente, no caso do sequestro do menino Pedrinho, levado da mãe biológica ainda bebê e que descobriu, já na adolescência, que pertencia a outra família. A diretora, no entanto, registrou que seu personagem, Pierre/Felipe, não representa o menino: "Não é o Pedrinho, não está escrito isso, é um menino atual". A diretora observou que a mesma atriz fez o papel da sequestradora e da mãe biológica do menino e reparou que poucas pessoas perceberam isso.

Anna Muylaert opinou que "esse filme é um filme de quebra de expectativas". Ela contou que o longa deixou os jovens muito frenéticos, por um motivo muito simples: "Talvez seja o primeiro filme brasileiro retratando essa geração não binária de uma forma não julgadora". A diretora ainda contou como trabalha nos bastidores de suas produções: "A Minha sensação é que cada ator vai me demandar um tipo de direção".

Anna Muylaert falou sobre outro tema atual, o papel da mulher na sociedade e analisou, de forma mais específica, a sua área de atuação: "O mercado é mais ou menos 15% de mulheres dirigindo e o resto homens". Ela ainda registrou, de forma mais clara, como é a situação atual no cinema: "A história geral é que os homens pegam o filé mignon e as mulheres pegam a carne moída que sobrou".

A diretora falou que, normalmente, o homem é preparado desde cedo para ser um lutador, enquanto a mulher é preparada para ser menos combativa: "Enquanto o menino está no judô, aprendendo a lutar, a gente está no balé. Nós mulheres temos medo dessa energia de guerra". Ela afirmou que isso atrapalhou muito o seu início: "No começo da carreira eu levava bastante rasteira". Anna contou que, com o sucesso, algumas coisas começaram a mudar em sua vida: "Eu tive que fazer análise pra exigir que eu tivesse crédito, depois veio a questão da paridade de salário". A diretora ainda comparou nossa realidade com a da maior produtora de cinema no mundo: "O feminismo está muito forte em Hollywood porque lá é ainda pior". Ela ainda contou suas experiências no Instituto Geena Davis, que mede a presença da mulher na tela de cinema. Anna comentou que, com essas pesquisas, constatou-se que de cada quatro heróis no cinema três são homens e a mulher é retratada como objeto sexual. Segundo ela, nos últimos 56 anos, apenas quatro mulheres protagonistas ganharam o Oscar. Com isso, conclui-se que filmes de homens geram mais dinheiro e os diretores ganham mais que as diretoras.

Ao ser questionada sobre fazer "arte engajada" ela fez questão de separar essa ligação da arte com partidos políticos, e ressaltou que isso não pratica. Entretanto, ela admitiu que leva temas engajados às telas e voltou ao sucesso "Que Horas Ela Volta?": "O filme era para falar dessa naturalidade que a gente lida com o separatismo social". Anna contou uma experiência de domésticas que assistiram a uma sessão do filme e depois se reuniram para discutir as próprias condições de trabalho e o quão humilhadas ainda eram.

Fernanda Takai voltou para a segunda parte de sua entrevista e cantou a música "A Pobreza". Depois da canção, explicou o porquê de o nome de sua banda ser "Pato Fu". Uma história do gato Garfield serviu de inspiração para que, em um período em que as bandas abusavam dos nomes em inglês, o grupo optasse por um nome mais "fofinho", um "kung fu de pato", como ela mesma disse.

Com os cabelos sempre curtinhos, ela contou que a filha Nina chegou a pedir para que ela mudasse de visual. Questionada se gostava de ser filha da mãe famosa, a menina teria dito: "Eu gosto, mas eu queria ter uma mãe de cabelo comprido".

Fernanda Takai falou um pouco sobre suas raízes, um pouco portuguesas, um pouco japonesas e totalmente brasileiras: "Nasci no Amapá, meu pai era geólogo e minha mãe enfermeira e eles trabalhavam em uma grande mineradora". Ela contou de suas "andanças" até chegar a Minas Gerais, onde estudou e acabou ficando.

Ao ser questionada sobre já ter apoiado políticos do PSDB, a cantora foi enfática: "Eu geralmente tenho apoiado pessoas. A coisa partidária no país hoje está diluída. Eu sempre fiz opção pelo caráter das pessoas e é claro que eu revi vários pontos". Para explicitar sua posição, ela fez questão de ressaltar que é "totalmente apoiadora da presidente Dilma" e considerou: "As pessoas têm essa noção de que ela é uma pessoa idônea, honrada". Fernanda observou: "A gente não pode deixar de apoiar as pessoas de bom caráter. Não vou deixar de apoiar a presidente Dilma". A cantora recordou que cantou na primeira posse da presidente afastada e disse que Dilma reuniu artistas diversos do país, muitos, inclusive, que não a apoiavam. Ao falar sobre uma possível eleição do republicano Donald Trump nos Estados Unidos, Fernanda Takai foi direta: "Isso é catastrófico também". Para finalizar o assunto, ela fez questão de informar: "A minha posição política não representa todos da banda".

Depois de falar sobre política, Fernanda Takai apresentou um dos hits do Pato Fu: "Antes Que Seja Tarde". Na sequência, ela confidenciou que não tem mais vontade de tocar nos shows a canção "Pinga", curiosamente um dos grandes sucessos do grupo. Ela explicou o porquê.

Fernanda Takai disse que teve a possibilidade de cantar com alguns de seus ídolos, como Rita Lee e, especialmente, a Blitz, mas confessou ter um desejo: "Eu nunca cantei com o Roberto Carlos, já gravei várias músicas dele. 'Debaixo dos Caracóis' era minha música de ninar". Ela, então, deu uma palhinha do sucesso "Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos".

A vocalista do Pato Fu falou sobre pirataria em tempos de alta tecnologia e mp3: "Hoje quase todos os artistas têm noção de que a tecnologia faz bem pra gente, faz a gente chegar nos lugares mais improváveis". Ela ainda registrou sua aversão ao "jabá", que é, entre outras coisas, um sistema em que gravadoras pagam para que as músicas de seus artistas sejam executadas em rádios e destacadas nas programações".

A artista apresentou outro grande sucesso do Pato Fu: "Perdendo Dentes". Depois da canção, ela falou sobre críticas ao seu estilo de cantar: "Tem gente que não gosta. Com o tempo passando, você vai tendo noção do seu valor". Ela, no entanto, reconheceu que críticas prejudicam muito os artistas em início de carreira. Ela falou sobre o jeito "mais doce" das vozes da Bossa Nova e concluiu: "Eu acho que eu sou desse time, que canta miudinho". Fernanda falou, ainda, como lida com as críticas nas redes sociais.

Sobre os Jogos Olímpicos, ela disse estar amando: "Estou vendo de tudo um pouquinho. É tão bacana ter essa possibilidade do sonho olímpico aqui no nosso país". Takai disse que os estrangeiros estão tendo a oportunidade de conhecer melhor nosso país, não só o lado ruim: "O Brasil é um país muito bom".

Fernanda Takai contou que o maior show feito pelo Pato Fu foi no Rock in Rio de 2001 e revelou a estratégia para "sobreviver" a uma das noites mais "pesadas" do festival, que teve bandas como Guns N' Roses e Oasis. A cantora falou sobre o Grammy Latino, recebido pelo consagrado trabalho "Música de Brinquedo" e confessou que é fã do Instagram: "Eu gosto muito de imagem".

Para encerrar sua participação no programa, ela apresentou, talvez, a canção mais emocionante do Pato Fu, "Canção Pra Você Viver Mais", uma homenagem ao seu pai. Fernanda disse que ganhou a música de presente do marido John Ulhoa, que divide os palcos com ela na banda.

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