Profissão Repórter: A dor de mães que sofrem de depressão pós-parto

O cheiro nas roupinhas dos bebês, os primeiros gestos e sorrisos, a alegria de uma nova vida. Nada é capaz de amenizar a dor de mães que sofrem com a depressão pós-parto, um mal que atinge uma em cada quatro mulheres no Brasil. O ‘Profissão Repórter’ desta quarta-feira, dia 3 de agosto, encontra histórias de mães que conheceram os efeitos de uma depressão profunda assim que seus filhos nasceram.

A repórter Eliane Scardovelli concebeu a reportagem a partir de depoimentos de mulheres em grupos de redes sociais, dos quais participava quando ainda estava grávida. Para retratar o assunto, ela acompanha três mães de diferentes níveis socioeconômicos e revela o que elas passaram logo após a gestação. “Foi uma abordagem difícil, porque esse tema ainda é um tabu e recebi muitos nãos”, explica. Todas contam que sentiram preconceito quando estavam doentes, porque, segundo elas, todos os olhares estão sobre o bebê e as pessoas não percebem que a mãe pode estar fragilizada.

O julgamento também atinge aquelas que optam por falar da maternidade sem romantismo, sem lidar com o dia-a-dia de maneira fantasiosa. Em conversa com duas mulheres que questionam o tão idealizado papel de mãe, Erik von Poser conta que se identificou com o tema, principalmente por ser homem e não ter filhos. “Senti uma grande abertura por parte dessas mulheres e pude associar esse discurso à realidade, com o cotidiano das mães que dão banho nos filhos, ficam sem dormir, etc.”, relata o repórter.

Talvez seja por conta de tanto preconceito e até por falta de conhecimento que o Programa de Saúde Mental da Mulher, no Hospital das Clínicas, em São Paulo, tenha algumas das 15 vagas disponíveis ainda sem pacientes. A repórter Danielle Zampollo conversa com psicólogos e psiquiatras, que relatam a falta de diagnóstico e encaminhamento para as mulheres. Em conversa com algumas adolescentes grávidas, em Santos (SP), Danielle encontra uma jovem de 17 anos, no nono mês de gestação, que apresentava muitos sinais de depressão, mas que nunca tinha sido avaliada por um especialista. “Vamos mostrar que existe tratamento e muitas formas de oferecer ajuda a essas mulheres. Aquelas que estão em tratamento, relatam uma boa melhora, voltando à rotina normal depois de algumas sessões e com ajuda de remédios, quando necessário”, comenta.

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