Romero Jucá: "Ser investigado não é demérito. O demérito é ser condenado"



O programa Mariana Godoy Entrevista desta sexta-feira (19) recebeu o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e a Banda Eva, que abriu o programa com o grande sucesso "Beleza Rara".
Jucá começou sua participação no programa falando da reunião de que participou em São Paulo com o presidente interino Michel Temer: "Michel Temer marcou uma reunião aqui em São Paulo justamente para discutir a economia. Foi uma reunião bastante importante e ficou decidido que nós vamos acentuar o controle de gastos", reconheceu Jucá. A ideia do governo provisório é aprovar a PEC do Controle de Gastos. "Queremos que o governo só gaste aquilo que arrecade. Queremos trazer o Brasil de volta para o patamar de reconhecimento internacional", garantiu o político.

A previsão para 2017 é de um déficit de R$ 139 bilhões, mas o senador é otimista quanto à reversão desse quadro: "Nós vamos zerar esse déficit em 2019. Em 2019 nós teremos superávit". Ele ainda acusou o governo do PT de "mentir" à população com as previsões econômicas: "Temos que ter a responsabilidade de falar a verdade, não podemos fazer o que o governo anterior fazia".

O presidente nacional do PMDB comentou os aumentos concedidos ao funcionalismo público, apesar de o governo alardear aos quatro ventos que é momento de conter gastos: "Demos prosseguimento a entendimentos já feitos com diversas categorias. Foram reajustes fixados na meta da inflação".

Ainda falando sobre a economia, o senador sinalizou para algumas prioridades de Michel Temer, caso se mantenha na presidência: "Facilitar a vida do empresário, daquele que quer gerar empregos é o que vai fazer o Brasil crescer". Ele prosseguiu: "O Brasil vai voltar a gerar empregos quando fizer três coisas: recuperar a credibilidade do país, a segurança jurídica, e gerar condição de fazer previsibilidade econômica".

Romero Jucá falou sobre a possibilidade de privatização nas empresas de distribuição elétrica da Eletrobras. Ele afirmou que seis empresas federalizadas dão prejuízo e considerou: "A Eletrobras quer resolver a situação dessas empresas". Jucá foi além: "Privatizar não vai resolver, você não vai vender algo que dá prejuízo, porque ninguém vai comprar".

Questionado sobre a situação do Sistema Único de Saúde (SUS), o presidente do PMDB garantiu que a "iniciativa privada jamais cuidará do SUS".

Quando ouviu de Mariana Godoy que "em tese", o governo Temer vai até 2018, o senador procurou ser enfático: "Não é provavelmente o governo Temer só vai até 2018. O governo Temer só irá até 2018. O presidente Temer não é candidato à reeleição". Ele ainda criticou aqueles que pedem eleições gerais no país ainda este ano: "Fazer eleição geral agora é inexequível, não é operacional".

Romero Jucá fez críticas à presidente afastada: "Por que a presidenta Dilma está saindo? Porque ela descumpriu a lei, porque ela cometeu crime de responsabilidade e isso gerou o caos. Ninguém está tirando o governo, o governo caiu, de podre, de incompetência". Ele ainda rejeitou a tese de golpe no país: "Isso não é golpe, é cumprimento constitucional". Jucá, entretanto, garantiu que Dilma Rousseff será respeitada no Senado, mas disse que será questionada com firmeza. Sobre a parceria Dilma/Temer ele ainda explicou: "Eu não votei na presidenta Dilma em 2014, eu votei no Michel Temer". Jucá reiterou sua proximidade de ideias com políticos como Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves e José Serra e lembrou ter apoiado o tucano nas últimas eleições presidenciais. Ele ainda garantiu que avisou Temer que "O Brasil iria cair em um precipício" com a política econômica de Dilma Rousseff.

Jucá, que foi líder dos governos FHC, Lula e Dilma garantiu: "Fui líder do governo Lula sem mudar uma linha dos meus pensamentos". Ele ainda falou sobre a necessidade de a classe política afastar a presidente Dilma: "Não dá pra deixar inerte o país com tudo o que está acontecendo".

Apesar de os áudios da conversa entre Jucá e o empresário e ex-senador pelo PSDB Sérgio Machado terem sido muito claros, ele se defendeu e garantiu que jamais tentou obstruir a Justiça. O senador criticou Machado: "Ele esteve na minha casa, numa situação armada. O que a imprensa soltou foram trechos isolados". Romero Jucá defendeu alguns pontos de sua fala: "O Brasil não pode ficar paralisado pela Operação Lava Jato". Ainda assim, ele tentou reforçar seu apoio às ações da Polícia Federal: "A Operação Lava Jato mudou o paradigma da política no Brasil e isso é salutar que aconteça. Eu apoiei e apoio a operação Lava Jato". Jucá falou sobre os políticos que seriam investigados na Operação: "Ser investigado não é demérito. O demérito é ser condenado". Sobre os áudios vazados em que conversa com Machado, ele observou: "Se eu soubesse que estava sendo gravado eu teria explicado melhor". "Quem tiver culpa tem que pagar, agora tem que se dizer quem tem culpa e quem não tem". Romero Jucá afirmou que não comentaria o caso "porque não se comenta investigação". Para finalizar o assunto, ele desafiou: "Eu quero que me digam onde eu errei. Eu não tenho medo de nada".

Ainda sobre a Lava Jato, Jucá voltou a afirmar a acusação contra ele é armada. "Armada por quem? Tentam botar o Aécio, o PSDB. É uma tentativa de envolvimento de toda a classe política". O presidente do PMDB ainda considerou: "A Lava Jato é imexível".

Sobre a política mundial, Jucá criticou o candidato republicano ao governo dos EUA Donald Trump e disse que prefere a eleição de Hillary Clinton. Jucá ainda comparou, de forma negativa, Bernie Sanders à política brasileira Marina Silva, a quem fez uma provocação "Se a política não presta, porque vocês querem se meter em política?"

Jucá comentou as situações de Katia Abreu e Roberto Requião, que têm criticado e tomado posições contrárias às do PMDB e deu a entender que depois do processo contra Dilma Rousseff ambos terão que decidir se seguem as determinações peemedebistas ou se deixam a legenda. Ele ainda apontou para o futuro do partido: "O PMDB pode até diminuir de tamanho, mas vai ampliar a sua clareza, a sua posição".

Romero Jucá se mostrou contrário à taxação de dividendos dos empresários, tributo que poderia arrecadar R$ 50 bilhões por ano ao país: "Não devemos tratar de aumento de imposto enquanto o governo não fizer a sua parte".

O senador se mostrou confortável com a recente aliança entre PMDB e PSDB: Para ele, os dois partidos "Têm visão do mundo, da economia e da política mais próximos do que o PT teve no governo Dilma". Ele ainda emendou: "O Brasil é uma terra de oportunidades, temos que deixar os empreendedores atuarem". Com essa colocação, reforçou sua opinião contrária à criação de tributos que afetem empresários.

Sobre as polêmicas envolvendo a Petrobras, o senador considerou: "Ninguém quer privatizar o pré-sal. Nenhum estrangeiro vai pegar o pré-sal e levar para o país dele". Ele ainda criticou a gestão da estatal do petróleo: "A Petrobras só não quebrou porque é pública".

Para o político, com a saída de Dilma "muda a leitura internacional". Ele crê que isso fará o país retomar a confiança de investidores e de economias parceiras.

Jucá voltou a criticar a presidente afastada e a culpá-la pelo momento por que passa o Brasil: "Os erros do governo Dilma tiveram consequências na vida das pessoas. Teve gente que perdeu emprego, teve gente que tirou o filho da escola particular e botou na escola pública".

O senador mostrou esperança: "Eu tenho fé que esse país vai dar a volta por cima mais rápido do que se espera". Seguindo a linha adotada por políticos da base aliada, ele ainda convocou o povo: "As pessoas têm que acreditar, têm que trabalhar, tem que ajudar".

A Banda Eva retornou ao palco apresentando a canção "Não Vá Embora", sucesso na voz de Marisa Monte. Felipinho afirmou que não é possível, com essa versão acústica, conferir o resultado da canção com a Banda, haja vista que apenas três músicos vieram ao programa: Felipinho, Jorginho e Marcelinho.

Sobre a Banda Eva ter sido liderada somente por cantores baianos, Felipinho observou: "Não é pré-requisito, mas tem que ter um dendê".

Ao ter a voz comparada à de Fábio Jr, Felipinho reconheceu: "É uma referência". Ele ainda falou sobre nomes que o precederam na Banda Eva, como Luiz Caldas, Ivete Sangalo e Daniela Mercury: "É um time de peso". Sobre a inclusão de uma mulher ao grupo, o vocalista brincou: "Mulher é muito complicado, homem é mais simples".

Felipinho elogiou as condições de trabalho na Banda Eva: "O Eva sempre foi assim, eles sempre deram liberdade para o artista que está assumindo colocar as suas influências, a sua verdade. A nossa verdade é uma verdade mais pop, mais mpb. A gente vai lidando com isso de uma forma muito natural, a gente vai colocando as nossas influências porque o axé é justamente isso, uma fusão de influências, de ritmos".

Os músicos falaram sobre as décadas de sucesso do "axé music" e explicaram algumas das características do estilo musical. Marcelinho reforçou: "Axé significa força". Felipinho, por sua vez, citou a missão do grupo: "Nosso papel é dar continuidade a esse trabalho que começou 30 anos atrás".

Os músicos falaram, ainda, sobre os rituais religiosos que realizam antes das apresentações e passaram a agenda de shows para os próximos dias. Depois disso, encerraram o programa com a nova música de trabalho, "Sem Você".  

Compartilhe no Google Plus
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários :

Postar um comentário

.