SBT esqueceu que adultos assistem suas novelas infantis

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Desde  Carrossel o SBT comete o erro de fazer novelas enormes. Houve uma fase na novela dos alunos da professora Helena em que o que mais havia era flash back. Mas naquela época Carrossel reinava sozinha. Não havia outras novelas no mesmo horário. O público adulto tolerava essas coisas, até porque Carrossel divertia e tinha tramas que começavam e terminavam em um determinado período de tempo. Não era enrolada no seu todo. Só passaram a enrolar nas últimas semanas.
Em Chiquititas, que também foi bem, houve um grande erro estratégico. Chiquititas original era enorme e composta de várias temporadas. Cada uma fechava um ciclo para se iniciar outra na temporada seguinte. O SBT pôs a nova versão no ar sem saber quando ela iria terminar e sendo assim,  Irís Abravanel e equipe não souberam aproveitar tudo que a trama original oferecia. A novela teve capítulos muito bons, mas a história se enrolou a partir do momento em que o mote da verdadeira origem da Mili foi explorado por mais de 2 anos. Isso se resolvia em meses na trama original. Precisamente no término na primeira temporada. O SBT ao invés de dividir a nova Chiquititas em temporadas resolveu fazer uma enorme novela sem marcações muito definidas, misturando elementos de várias de temporadas do original num texto só. Tudo isso resultou no seguinte: umas tramas andavam outras empacavam. Para completar a sofreguidão ainda aumentaram a novela na edição com vários flashs backs e uns 2 e ou até 3 clipes por dia nos meses finais.
Veio Cúmplices de um resgate. A audiência já começou a cair aí. Band e Record entraram com novelas no horário. O público adulto tinha agora onde se refugiar. Em Cúmplices de um resgate a produção se apurou. Isso já havia começado em Chiquititas e a enrolação também. Cúmplices de um resgate que originalmente teve pouco mais de 130 capítulos na versão brasileira teve absurdos 357 capítulos. A história praticamente foi desfigurada para poder durar tanto. Houve inserções de núcleos bobos para encher linguiça que travavam a ação. A audiência caiu, mas ainda se encontrava com dois dígitos.

Chegamos a Carinha de anjo. Bela produção, graciosa, mas que também comete o mesmo erro. É uma novela de pouco mais de 170 capítulos originais que serão transformados em mais de 300. Já é notável a enrolação na trama, que pouco anda. A audiência há dias em que já fica abaixo dos 10 pontos e também há dias que marca menos que a reprise de Chiquititas.
Carrossel sempre marcava perto dos 15 pontos. Fazendo uma comparação com as ultimas duas novelas fica nítida uma fuga de público. Ao meu ver essa fuga se deve ao fato do SBT só se importar com as crianças nas últimas novelas. São tramas sem ganchos, sem agilidade, enormes, sem história para contar. Só crianças têm paciência porque elas se ligam aos personagens e não à trama, ao seu desenrolar. Está na hora do SBT rever o tamanho de suas novelas. Com 200 capítulos dá para fazer uma novela rentável com um ritmo interessante. Isso para uma novela infantil. Para uma normal é muito, mas para uma infantil, 200 capítulos é viável. Mas que isso deixa as novelas massantes para os adultos que gostam dela. Se o SBT quiser manter os dois públicos: o infantil e o adulto e evitar mais fuga de público terá que criar tramas que contemplem os dois públicos. Elas, é claro, devem continuar infantis, juvenis em seu conteúdo, mas serem mais atrativas como uma novela comum: com ganchos, capítulos movimentados,  em que aconteça algo que prenda a atenção tanto das crianças quanto dos adultos. Enfim, se o SBT não acordar a tempo terá que enfrentar as consequências desse descaso com essa parcela do público de suas novelas infantis. Fico por aqui, um abraço a todos e até a próxima.

*por Gilmar Moraes

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